A inflação e o aumento do custo de vida parecem ser as prioridades do presidente

Publicado em 02/06/2022 05:44 / atualizado em 02/06/2022 05:44

    (Crédito da imagem: Ed Alves/DA Press)


(Crédito da imagem: Ed Alves/DA Press)

Com a escalada da inflação e seu impacto, principalmente nos preços dos combustíveis e alimentos, a agenda econômica passou a ser protagonista nos discursos dos pré-candidatos ao Palácio do Planalto.

no sábado de publicar, que teve lugar esta semana, os candidatos presidenciais fizeram fortes declarações sobre a grave crise económica que assola o país. Destacaram-se a elevada taxa de desemprego e o aumento das desigualdades.

O pré-candidato do PDT, ex-governador Ciro Gomes, disse que o Brasil vive sua “crise mais grave”. No que chamou de “terapia” para tal diagnóstico, apresentou o livro em que discute o Plano Nacional de Desenvolvimento (PND) elaborado por sua equipe.

“Ao invés de o Brasil ter uma meta de inflação — que visamos o melhor que podemos — precisamos ter uma meta de crescimento econômico”, destacou o terceiro colocado nas pesquisas de intenção de voto. Segundo ele, haveria um plano de longo prazo que duraria 30 anos. Até então, haveria metas intermediárias a cada cinco anos.

A senadora Simone Tebet (MS), pré-candidata ao MDB, destacou os altos preços dos combustíveis. Um problema que o governo não consegue resolver e que levou o presidente Jair Bolsonaro (PL) a promover trocas seriadas na cúpula da Petrobras, até agora sem sucesso. O presidente critica a política de preços da estatal, ligada ao mercado internacional.

Para a Tebet, no entanto, acabar com a Paridade Internacional de Preços (PPI) adotada pela Petrobras traria mais problemas do que soluções. Medidas para reduzir os valores arrecadados nas bombas já são possíveis, como a criação de “créditos especiais”.

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Tebet também comentou sobre privatizações. Ela disse que apoia a privatização da Eletrobras, mas votou contra o texto em tramitação no Congresso por discordar de seu conteúdo. O senador o chamou de “uma das tartarugas mais pervertidas”.

“Nós simplesmente não conseguimos virar porque estávamos em uma pandemia onde tivemos que votar no virtual. O Senado quase derrubou porque o projeto inicialmente era bom em meio às regras da Eletrobras. Faça com que você que nos segue pague uma conta de energia ainda mais cara”, continuou, referindo-se aos internautas que puderam acompanhar ao vivo no sábado pelo site do jornal e redes sociais. parlamentar, o Nordeste só vai beneficiar “meia dúzia de lobistas”.

O pré-candidato dos prós, Pablo Marçal, explicou que nem todas as estatais precisam ser privatizadas, mas que é preciso uma análise do Tribunal de Contas da União (TCU), e “toda empresa que cheira a mofo tem um cartel, um monopólio, que o Brasil estragou” tinha que ser vendido.

Marçal disse ser um defensor da privatização, inclusive no caso da Petrobras. “Precisamos dividir a Petrobras em pequenas e médias empresas. Não temos que vender ao capital estrangeiro, mas temos que quebrar esse monopólio”, ressaltou.


Desperdício

Defensor do menor envolvimento do Estado na economia, o pré-candidato do Novo, Felipe D’Ávila, criticou o que chamou de “desperdício de dinheiro público” no Brasil: fundos eleitorais e partidários.

“É tudo dinheiro eleitoral. Isso acaba com os fundos públicos. Na verdade, o maior desperdício de dinheiro público são os R$ 5 bilhões do fundo eleitoral para financiar campanhas políticas em um ano em que o Brasil precisa de dinheiro em outras áreas para ajudar, inclusive pessoas com problemas gravíssimos, como em Recife, por causa das chuvas ; por mais dinheiro para hospitais e saúde pública”, argumentou.

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A pré-candidata do PCB, Sofia Manzano, apresentou as propostas do partido para o âmbito do serviço público. “Defendemos que os serviços essenciais sejam prestados por servidores públicos e não por terceiros ou patrocinados, pois são formas de desvio de recursos públicos”, frisou.

A socióloga e candidata ao Planalto do PSTU, Vera Lúcia Salgado, defendeu a revogação das reformas trabalhista e previdenciária e o teto de gastos. “A reversão imediata de todas as reformas realizadas contra a classe trabalhadora. Vamos nacionalizar as 100 maiores empresas deste país e colocá-las sob o controle da classe trabalhadora organizada”, ressaltou.

Para retornar

Para o cientista político do Insper, Leandro Consentino, a economia costuma ser o foco das campanhas eleitorais, mas ele perdeu o cargo nas eleições de 2018 quando o debate se voltou para o combate à corrupção.

“A questão não é tanto como a população entende os detalhes do debate macroeconômico. E a população realmente não entende isso, mas enfatizamos o “como” isso é recebido pelos eleitores. “Ainda temos quatro meses até as eleições e as histórias devem ser mais importantes do que os fatos sobre a economia.”

A deterioração da percepção do bem-estar social na era pós-pandemia está desencadeando a agenda econômica para a centralidade do debate eleitoral, destacou o mestre em Ciência Política e professor do Ibmec-DF Danilo Morais. Como ele apontou, o eleitor médio é muitas vezes essencialmente pragmático. “A complexidade da engenharia industrial exige soluções igualmente sofisticadas, mas dificilmente serão assimiladas pelo eleitor médio. Ele simplesmente espera uma solução para o impasse e dá importância secundária aos meios”, explicou.

Morais destacou que o mal-estar dos eleitores foi uma combinação de inflação, precarização do trabalho, queda do salário real e aumento dos juros.

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