Brasil de Fato Paraná inicia uma série de entrevistas com

A partir deste mês é o Brasil de Fato Paraná realiza entrevistas ao vivo com pré-candidatos ao Congresso Nacional em suas redes sociais e passa a reportar as eleições de 2022.

No primeiro programa, foram ouvidos a educadora e professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Andréa Caldas (PSOL), e o deputado estadual Tadeu Veneri (PT), que pretendem concorrer a cargos de deputado federal no Paraná. Para ver o programa na íntegra, acesse as redes sociais do BdF-PR.

Leia aqui trechos da entrevista:

Brasil de Fato Paraná – Por que você decidiu concorrer a deputado federal nas eleições deste ano?

André Caldas: Até agora não havia apresentado meu nome em nenhuma disputa de cargo, mas a pedra de toque foi a fala da deputada Luiza Erundina [PSOL-SP]que estava pensando em não votar este ano, mas declarou que “esta é talvez a eleição mais dramática de nossas vidas desde a redemocratização”.

É o que eu acho, temos uma eleição onde não estamos apenas disputando um novo banco ou um novo governo, mas um projeto para a sociedade, para o futuro. É a luta entre a civilização e a barbárie. Devemos ocupar esses espaços. Quantos de nós que se comprometeram com uma sociedade igualitária ainda podem ocupar esses espaços… Acrescento isso. Tentando defender os direitos sociais, uma sociedade igualitária, educação e tecnologia.

Tadeu Veneri: Estou no meu quinto mandato, 20 anos na congregação, passando por bons e outros frustrantes. Em algum momento, novos desafios são necessários. Concorrer a deputado federal é uma situação diferente, não porque o Congresso seja melhor que a Assembleia, mas porque, como disse Andréa, esta é uma eleição como nenhuma outra.

Devemos tentar ter um perfil diferente no Congresso Nacional. O Congresso não pode permanecer o que sempre foi, lar de minorias. Da minoria agrária, das minorias financeiras e industriais… O congresso, a assembleia e as câmaras municipais não representam a maioria da população, mas os segmentos minoritários que conseguem se organizar para garantir o orçamento e daí os demais forças. Vivemos em uma democracia de fachada em que pequenos segmentos acabam por ter o poder de submeter a maioria da população aos seus ditames, aos seus excessos.

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O que mudou desde as eleições de 2018?

Veneza: A grande diferença é que o fascismo agora é explícito. Nas eleições de 2018, tivemos o protofascismo da Lava Jato, com todas as suas declarações divulgadas pela maioria da imprensa e inquestionavelmente noticiadas sobre o crescimento da direita com um cenário internacional que favorecia esse comportamento. Fomos avisados ​​do que estava para acontecer, mas não percebemos.

O centro político, que tinha certa importância na época, também desapareceu nesta eleição. Estamos entre não a esquerda, mas um centro democrático que busca alternativas e a extrema direita.

Não há como ignorar que a milícia assumiu o governo Bolsonaro, assumiu o estado. Diferente das eleições de 2018 quando tivemos um presidente que assumiu após o golpe contra a ex-presidente Dilma e teve 5% de popularidade e enfraqueceu o Centrão… Hoje esse centro fisiológico dentro do Congresso está totalmente ligado ao atual. Presidente, ele controla toda a máquina do governo, o que não é pouca coisa.

Para piorar, há cerca de 15 mil militares em cargos comissionados, soldados que enfrentam diariamente os demais poderes da República.

Esta não será uma eleição como as outras, onde a contagem termina no dia 2 de outubro e o poder passa para os vencedores. É diferente, vamos ter perguntas do Bolsonaro, como nos Estados Unidos, da extrema direita. E teremos eleições de violência explícita a qualquer dia. Não vivemos mais na terra de 2018, essa terra acabou.

André: Estamos passando por uma crise geral institucional, de saúde e econômica em todo o mundo. O cenário é mais dramático que o de 2018. Há algumas continuidades e mudanças.

A eleição de agora enterrou a falácia da terceira via, que na verdade nunca foi uma terceira via, mas um candidato do mercado que não pôde ser eleito desde a saída do PSDB. Mas ela tentou passar a ideia através da mídia de que a polarização ideológica é negativa, que deveríamos estar caminhando para a moderação, mas isso está sendo enterrado. Agora temos uma polarização. E há uma tentativa do mercado e da mídia de esterilizar e controlar essa polarização e impor sua agenda.

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Mas a novidade é uma extrema direita, composta por 20% da população, que é organizadora e militante. Devemos derrotar Bolsonaro porque sua reeleição abre uma oportunidade muito grande para acabar com o regime. Ele já está insultando o STF, fazendo um discurso a favor da tortura e da ditadura, questionando antecipadamente o resultado das eleições sem que as instituições façam nada. A reeleição deste senhor significa uma grande oportunidade para acabar com o regime.

É preciso que ele seja derrotado nas eleições, mas essa resistência deve ser mantida também nos espaços organizados, e o Parlamento é um deles, mas também organização nas ruas e na sociedade civil. A derrota de Bolsonaro será um golpe para esses setores protofascistas, mas apenas derrotá-lo não significa que vamos derrotá-los. Você vai ficar ativo, animado e organizado. Devemos responder com organização de esquerda nos vários espaços que podemos ocupar.

Fonte: BdF Paraná

Editora: Lia Bianchini

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