Brasileiro Ilan Goldfajn eleito presidente do BID – Política

Ilan Goldfajn, presidente eleito do BID
Para concorrer à eleição do BID, Goldfajn (foto) deixou o conselho do Fundo Monetário Internacional (FMI) (Foto: AFP/Sérgio LIMA)

WASHINGTON, & BRASLIA, DF (FOLHAPRESS) – O ex-governador do Banco Central do Brasil Ilan Goldfajn foi eleito neste domingo (20) o novo presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Ele será o primeiro brasileiro a comandar a instituição, que financia projetos de desenvolvimento no continente e tem sede em Washington, nos Estados Unidos.

Governador do Banco Central entre 2016 e 2019, indicado por Michel Temer (MDB), Goldfajn é atualmente Diretor do Hemisfério Ocidental no Fundo Monetário Internacional (FMI), cargo que deixou para concorrer à eleição para o BID.

Ele concorreu com outros quatro candidatos: a argentina Cecilia Todesca Bocco, secretária de relações econômicas internacionais da Chancelaria do país; o mexicano Gerardo Esquivel, um dos diretores do banco central do país; o chileno Nicols Eyzaguirre, ex-ministro da Economia; e Gerard Johnson, de Trinidad e Tobago, ex-funcionário do BID.

A escolha do brasileiro foi facilitada depois que o governo de Alberto Fernández abandonou a candidatura de Todesca Bocco na reta final e decidiu apoiar Goldfajn, que já contava com o apoio dos Estados Unidos.

Com Estados Unidos, Brasil e Argentina detendo a maior parte das ações do banco (os primeiros 30%, os segundos 11,4% cada), o caminho do brasileiro está aberto. Ele recebeu 80% dos votos na primeira votação.

Referência a Guedes

Goldfajn foi indicado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, que viajou a Washington no mês passado para angariar apoio ao brasileiro durante as reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial com autoridades do continente. Os candidatos tiveram um ano sabático no último dia 12 e Goldfajn causou a melhor impressão entre os concorrentes.

No entanto, a candidatura foi ameaçada quando Jair Bolsonaro (PL) perdeu a eleição presidencial brasileira. Isso porque o PT, partido do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, tem trabalhado para adiar a eleição do BID e assinar um nome diferente do fornecido por Bolsonaro.

O ex-secretário do Tesouro do PT, Guido Mantega, chegou a enviar um e-mail à secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, pedindo que a eleição fosse adiada por 45 a 60 dias. No entanto, a eleição não foi adiada, mas a eleição de Goldfajn foi ameaçada porque as autoridades não querem alienar o próximo presidente do Brasil. Na quinta-feira, porém, Mantega renunciou ao cargo na equipe de transição do governo Lula, dando ao ex-presidente do Banco Central um novo impulso no BID.

Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, as prioridades de Goldfajn apresentadas no processo de seleção do banco eram consistentes com as de Lula e incluíam o combate à fome, a promoção da cooperação entre os países, o crescimento por meio da inclusão social, da diversidade e da preservação do meio ambiente.

Teoricamente, a nacionalidade do presidente do painel não importa, pois os projetos financiados pelo BID seguem critérios técnicos. Na prática, porém, a presença de um brasileiro facilitaria testes de projetos-piloto no Brasil, por exemplo.

Fundado há 63 anos, o BID é a maior e mais antiga organização financeira multilateral do mundo e financia projetos de desenvolvimento econômico, social e institucional na América Latina e no Caribe. Possui 48 países membros e está sediada em Washington (EUA).

Até novembro de 2022, quase US$ 30 bilhões (R$ 160 bilhões) foram destinados pelo BID para projetos em preparação ou implementação no Brasil. Entre eles estão programas de fomento a empresas de bioeconomia na região amazônica, expansão da educação em Florianópolis (SC), investimentos em rodovias no estado de São Paulo, pecuária sustentável em Mato Grosso e diversas medidas federais.

tumulto do passado

A eleição deste domingo encerra um período conturbado que começou com a eleição do americano Mauricio Claver-Carone para o cargo em 2020, mas que foi destituído por unanimidade em setembro sob a acusação de namorar uma subordinada.

No ano em que o americano foi eleito, houve uma forte disposição dos países que compõem a bancada em escolher um brasileiro. Vários nomes foram discutidos, como Marcos Troyjo (agora na bancada dos Brics); Rodrigo Xavier; Carlos da Costa (ex-BNDES) e Martha Seillier (ex-secretária do programa de parcerias e investimentos), mas sem sucesso.

O Brasil desistiu de concorrer a um candidato depois que o então presidente Donald Trump pediu diretamente a Jair Bolsonaro para endossar Claver-Carone, então diretor de assuntos do Hemisfério Ocidental no Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca. No entanto, o mandato conturbado do americano chegou ao fim antes que ele completasse seu mandato de cinco anos.

Em entrevista recente à Folha de S. Paulo, Claver-Carone, a insatisfação de Paulo Guedes, explicou que o país fez uma escolha ruim ao apoiar sua demissão e que agora não encontraria apoio para escolher um nome verdadeiro.

Como funciona o BID?

  • estabelecido em 1959;
  • Seus recursos vêm, entre outras coisas, de seus 48 países membros e de financiamentos nos mercados financeiros;
  • Os direitos de voto são proporcionais ao capital subscrito do país;
  • Os EUA são o país com maior poder de voto na instituição, 30%;
  • Brasil e Argentina têm ambos 11,4%;
  • Cada país membro nomeia um governador – geralmente o ministro das Finanças ou da Economia.

Países que compõem o BID

Alemanha, Argentina, Áustria, Bahamas, Barbados, Bélgica, Belize, Bolívia, Brasil, Canadá, Chile, China, Colômbia, Costa Rica, Croácia, Dinamarca, El Salvador, Equador, Eslovênia, Espanha, Estados Unidos, Finlândia, França, Guatemala , Guiana, Haiti, Honduras, Israel, Itália, Jamaica, Japão, México, Nicarágua, Noruega, Holanda, Panamá, Paraguai, Peru, Portugal, Reino Unido, República da Coreia, República Dominicana, Suécia, Suíça, Suriname, Trinidad e Tobago, Uruguai e Venezuela

O presidente

– Eleito pelo Conselho de Administração

– Responsável pelo dia-a-dia

– Não há votação nas reuniões do Conselho de Administração, exceto no caso de empate

Fonte: BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento)

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