Cargos de segundo escalão são cobiçados por partidos aliados de Lula – Politica

JULIA CHAIB, MATHEUS TEIXEIRA E THIAGO RESENDE

lula
Presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Valter Campanato/ABr)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – A par da disputa dos ministérios, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem de decidir sobre uma série de indicações para cargos estaduais e de segundo escalão.
Embora o PT ainda não tenha definido quem vai comandar os intendentes da Esplanada, os aliados já começaram a traçar cenários para que essa segunda cota de cargos também seja resolvida.

Petrobras, Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba), Sudam (Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia) e BNDES estão entre outros na lista de órgãos cobiçados.

Mesmo fora dos ministérios superiores, as secretarias executivas e especializadas têm poder de decisão e movimentam grandes somas de dinheiro.

O cenário de quem ocupará esses cargos de segundo escalão ainda é incerto, pois as indicações ainda não foram consideradas pelos ministros ainda a serem definidos, mas há uma certeza entre os interlocutores de Lula: as indicações podem servir para considerar o partidos aliados e aqueles que vêm sem alta representação no primeiro escalão.

Uma orientação, compartilhada por aliados próximos de Lula, é que não haverá “porta fechada”, ou seja, o partido que comandará a pasta não poderá especificar os demais cargos.

No entanto, o ministro não será também uma rainha da Inglaterra sem interferir no próprio time.

No governo Jair Bolsonaro (PL), a maior parte dessas funções foi distribuída a membros do grupo do partido conhecido como Centrão, a fim de dar ao presidente apoio a essas siglas e construir uma base ampla no Congresso.

O apetite dessas lendas por cargos deve continuar no governo Lula, que tenta compor com os parlamentares em algum nível. No entanto, o PT deve considerar o próprio PT, que deve ser excluído de cargos que considere importantes.

Um dos nomes que mais bombam nas apostas anteriores é o do governador de Pernambuco, Paulo Câmara. Aliado de Lula, é considerado primeiro-ministro, mas sabe que o PSB pode não ter forças para lhe garantir uma cadeira no primeiro andar do governo.

Por conta disso, aliados trabalham como um plano B com a ideia de que ele pode assumir o Codevasf.

A corporação é alvo da ganância da classe política por ser responsável por empreendimentos de grande impacto para a população, como pavimentação, construção de pontes, saneamento, fornecimento de máquinas e equipamentos, entre outros.

Justamente por isso, há quem aposte que a Câmara não terá facilidade nessas negociações porque o Centrão tentará se adiantar à estatal.

O grupo que controla o Congresso assumiu o órgão no governo Bolsonaro e já sinalizou nos bastidores que não pretende abrir mão do cargo. Este ano, o orçamento da empresa é de R$ 1,7 bilhão.

O CEO, Marcelo Andrade Moreira Pinto, foi indicado pelo DEM. Davidson Tolentino, diretor de Revitalização de Bacias, é próximo de Ciro Nogueira, atual chefe da Casa Civil.
Por exemplo, ao final do mandato, o senador Paulo Rocha (PT-PA) é nomeado presidente da Sudam. A agência é vinculada ao Ministério do Desenvolvimento Regional e atua na Amazônia Legal.
Rocha é paraense e comandar a estatal o ajudaria a manter influência e destaque na região.

Em outra frente, os trabalhadores da Petrobras pressionam a presidente do PT, Gleisi Hoffmann (PR), a indicar o senador Jean Paul Prates (PT-RN) para chefiar a estatal.

Ele é considerado um nome natural para dirigir tanto a empresa quanto o Ministério de Minas e Energia, mas os funcionários o preferem na empresa.

Os petistas dizem que o partido deve a Prates, que desistiu da disputa pelo Senado em outubro por causa de um acordo regional para reforçar a reeleição da governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT).

Outros nomes citados para a Petrobras incluem o governador Rui Costa (Bahia) e Magda Chambriard – que chegou a presidir a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis).

Outro cenário traçado é a nomeação do ex-ministro da Educação do município e estado de São Paulo, Gabriel Chalita, para chefiar o FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação).

Ele é aliado de Geraldo Alckmin (PSB-SP) e foi um dos articuladores da aliança entre Lula e o vice-presidente eleito.

A ideia de Chalita ir para o FNDE ganhará força se ele não assumir o Ministério da Educação. A pasta também está nas mãos da governadora do Ceará, Izolda Cela (independente).

Chalita, que também é próximo do ex-prefeito Fernando Haddad (PT-SP), foi indicado para o grupo de transição que tratará do tema.

O ex-ministro Aloizio Mercadante, que coordena os trabalhos da transição, será indicado para diversas pastas, mas também para o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Social).

Outro nome do PSB na disputa por um cargo de destaque no governo é Alexandre Navarro. Como membro do grupo de transição que lida com ciência e tecnologia, ele é citado como o número dois na pasta do próximo governo.

Já foi secretário-executivo do ministério e também do Ministério da Integração Nacional e presidiu a Terracap (Companhia Imobiliária de Brasília) quando Rodrigo Rollemberg (PSB) era governador do Distrito Federal.

Ele é considerado um dos delegados sindicais da direção do Partido Socialista e tem um perfil técnico que também agrada a grandes nomes do PT.

Aliás, há uma disputa dentro do PT sobre o Ministério do Desenvolvimento Agrário. A pasta será recriada por Lula e dialogará com setores-chave do partido, como os ligados ao MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra).

O deputado estadual Edegar Pretto (PT), que perdeu este ano na disputa pelo governo do Rio Grande do Sul, é citado pelo ministério. O ex-ministro Miguel Rossetto (PT) é outro nome proposto para o cargo.

O deputado Milton Coelho (PSB-PE) é apontado como possibilidade para chefiar a Funasa (Fundação Nacional de Saúde) ou o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária).

Previsão dos Orçamentos do Estado para 2023

R$ 50 milhões
Sudam (Autoridade Reguladora para o Desenvolvimento da Amazônia)

R$ 55 milhões
Sudene (Fiscalização do Desenvolvimento do Nordeste)

R$ 149 bilhões
Funasa (Fundação Nacional de Saúde)

R$ 2,3 bilhões
Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária)

R$ 53,2 bilhões
FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação)

810 milhões de reais
DNOCS (Departamento Nacional de Obras Anti-Seca)

Leave a Comment