COP27 revela divergências entre Lula e Bolsonaro, dizem especialistas

Enviado Especial para Sharm El-Sheikh – A presença do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na 27ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP27), em Sharm El-Sheikh, no Egito, marca uma diferença marcante em relação ao atual presidente da República, Jair Bolsonaro (PL) , na política internacional.

Além disso, anuncia para o mundo a retomada do papel do Brasil como protagonista da agenda climática, segundo especialistas.

A viagem de Lula a Sharm El-Sheikh foi sua primeira viagem internacional desde sua eleição em 30 de março. O petista passou três dias em países egípcios onde se reuniu com autoridades da China, Estados Unidos, Espanha, Alemanha, Noruega e Egito ao lado do secretário da ONU -General António Guterres e Diretor de Mudanças Climáticas da União Europeia Frans Timmermans; participou de reuniões com a sociedade civil brasileira e lideranças indígenas; e falou na zona azul da COP, onde acontecem as negociações.

Em seu discurso de abertura na quarta-feira (16/11), Lula afirmou que seu governo priorizará o combate às mudanças climáticas, pediu recursos aos países ricos e propôs uma aliança global para acabar com a fome.

“Essa é uma das principais diferenças entre Lula e o presidente Jair Bolsonaro, que deixou o Brasil isolado nos últimos anos. A política externa foi uma marca dos primeiros oito anos de Lula e ressurgiu agora. Por outro lado, talvez o tema mais polêmico da política externa do governo Bolsonaro tenha sido justamente a agenda ambiental”, avalia o cientista político Guilherme Casarões ao metrópoles🇧🇷

“estrela do rock”

Casarões destaca ainda que como chefe de Estado no Egito, Lula foi bem recebido não só por seus apoiadores, mas também pela comunidade internacional. A agência Reuters chegou a chamar o petista de “estrela do rock” por causa dos muitos companheiros.

“Ele [Lula] deixou bem claro qual o papel que o Brasil deve ter no mundo em desenvolvimento: ser o país que liderará o combate à emergência climática”, avalia o pesquisador Carlos Nobre, do Instituto de Estudos Avançados da USP, em entrevista ao metrópoles🇧🇷 O cientista também aponta que o Brasil tem tudo para ser um dos primeiros países do mundo a cumprir as metas do Acordo de Paris para redução de emissões.

Para Laryssa Almeida, coordenadora de análise e conteúdo da Dharma Politics, a ida de Lula ao evento “se mostrou uma jogada inteligente e estrategicamente forte o suficiente para abrir caminho para a reintegração internacional do Brasil após quatro anos de isolamento significativo”. “Lula indica que pretende desenvolver uma política externa fortemente voltada para o enfrentamento das mudanças climáticas, com a possibilidade de que a questão ambiental como um todo tenha impacto também na dinâmica interna de seu próximo terceiro mandato”, acrescenta.

bônus econômico

Por sua vez, Igor Lucena, doutor em Relações Internacionais, destaca o bônus econômico que Lula ganhou com a devolução do Fundo Amazônia, que foi desativado no governo Bolsonaro. Após a eleição do PT, Noruega e Alemanha retomaram o financiamento para a conservação das florestas.

Como participante do Legal Amazon Hub na COP27, o diretor da International Climate and Forest Initiative na Noruega, Andreas Jorgensen, explicou que Lula tem um significado importante para a Amazônia e para o mundo. “O Brasil apresentou os melhores resultados de mitigação da história do governo Lula. Agora o presidente eleito diz que quer repetir esse feito, que é de enorme importância mundial”, disse Jorgensen, ressaltando a necessidade de ir além do Fundo Amazônia.

“Não existe vácuo na política e o fato de Bolsonaro não ter participado dessas discussões deu espaço para Lula assumir essa liderança”, comenta Lucena.

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