Dia Mundial do Refugiado: Estudo diagnostica trabalho de índios Warao em Belém | Para o

celebrar dia mundial do refugiadoserá lançado nesta segunda-feira (20) o estudo “Percepções Warao sobre o Trabalho”, organizado por Marlise Rosa e Lanna Peixoto.

A publicação faz parte de um projeto que visa fortalecer a comunidade, o emprego e a renda dos indígenas venezuelanos que vivem em Belém e Ananindeua.

A publicação será lançada em evento presencial em Belém, transmitido ao vivo pela internet, com a participação de lideranças indígenas, equipes e assessores de projetos, Agência da ONU para Refugiados e outras organizações parceiras.

Desde 2016, indígenas do povo Warao chegaram à região metropolitana de Belém, no Pará, na esteira da migração forçada para escapar da crise social e humanitária na Venezuela, país onde vivem.

De acordo com os últimos dados do Comitê Nacional para Refugiados vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública (CONARE/MJSP), a Venezuela é o principal ponto de saída para despejos forçados e na região norte, o maior número de pedidos de refúgio são registrados em no país do Brasil, cerca de 75%.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) aponta que “refugiados migrantes” são pessoas que tiveram que deixar seu país de origem por causa de perseguição ou uma situação de abuso geral dos direitos humanos.

Assim como os Warao, outras populações indígenas e não indígenas imigraram para o Brasil da Venezuela nos últimos anos. No caso dos Warao, as condições de vulnerabilidade social e violação de direitos são duplicadas porque não são apenas refugiados, mas também indígenas.

Atualmente, somente nos municípios de Belém e Ananindeua, existem pelo menos 700 povos indígenas Warao, distribuídos em oito municípios, que estão envolvidos em ações de empoderamento comunitário para garantir direitos básicos como educação, moradia, emprego e renda.

Segundo o ACNUR, há mais de mil refugiados indígenas da etnia Warao vivendo em todo o estado do Pará.

Desde 2021, o Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), em parceria com o ACNUR, desenvolve o projeto “Povo das Águas: Participação, Trabalho e Subsistência”, que visa ajudar a engajar essas pessoas em atividades produtivas que gerem renda, como a incorporação ao mercado de trabalho formal e o fortalecimento das cadeias produtivas artesanais, além do fortalecimento da organização das comunidades indígenas para a garantia de direitos.

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O projeto realizou um mapeamento para identificar o perfil de trabalho das pessoas, suas experiências e qualificações profissionais.

O resultado mostrou que a maioria adquiriu diferentes experiências profissionais durante o deslocamento, além de interesse pela profissionalização e integração em diferentes áreas.

Mais de 100 pessoas já participaram de esforços colaborativos para criar currículos e emitir carteiras de trabalho digitais. A base de currículos atualizada pelo projeto é compartilhada com empresas da região.

O IEB é uma organização brasileira sem fins lucrativos fundada em 1998, com atuação nos biomas Amazônia e Cerrado.

O próximo passo do projeto foi buscar parcerias para oferecer capacitação profissional que ajudasse a engajar a comunidade Warao nas atividades produtivas e combater a vulnerabilidade socioeconômica.

O curso de soldagem foi oferecido em cooperação com o Instituto Federal de Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA), do qual participaram 17 refugiados.

Também são oferecidos cursos e oficinas de aprimoramento de artesanato, precificação, desenvolvimento curricular, alfabetização digital, educação financeira e língua portuguesa para estrangeiros.

Além dos cursos, a equipe técnica do projeto também apoia pessoas indicadas para entrevistas de emprego, recém-contratadas ou em atividade autônoma, como confecção e venda de artesanato e outras atividades artísticas e culturais.

Entre abril e maio deste ano, foram enviados 28 currículos, entrevistados 12 indígenas e contratados 5 e aceitos 4 para cadastro de reservas.

Uma das empresas parceiras da iniciativa no setor de supermercados e eletrodomésticos emprega atualmente três refugiados venezuelanos.

Fórum de Empregabilidade

Ainda em 2021, por iniciativa do ACNUR, do Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) e do IEB, foi criado o Fórum Empresarial de Empregabilidade para Refugiados e Migrantes, reunindo empresários e autoridades locais para desenvolver estratégias que facilitem a inclusão de migrantes refugiados no mercado de trabalho formal.

A iniciativa faz parte de uma campanha nacional do ACNUR, que reúne diversas empresas comprometidas com a causa na plataforma Empresas com Refugiados.

Com o objetivo de escapar da crise econômica na Venezuela, várias famílias estão deixando o país em busca de comida, trabalho e moradia em países vizinhos, incluindo os nativos da etnia Warao. — Foto: Igor Mota/O Liberal

Faz parte da cultura tradicional Warao o artesanato com miçangas e fibra de buriti, além da pesca, fabricação de botes e marcenaria.

Neste mês, as artesãs participaram de um minicurso de educação financeira ministrado por uma equipe do banco central, participaram de exposições no projeto Circular e firmaram parcerias com uma loja de artesanato indígena local. Várias peças serão publicadas através da página das redes sociais do Warao Belém.

Até maio de 2022, foram realizadas atividades de fortalecimento e diversificação da cadeia de valor, envolvendo 19 homens e 98 mulheres, incluindo dois transgêneros da etnia Warao.

empoderamento da comunidade

Além das medidas de empregabilidade e empreendedorismo, o projeto Povo as Águas também conta com ações de empoderamento comunitário e para isso o envolvimento de oito articuladores indígenas dos Warao que atuam nesta e em outras linhas do projeto.

Atualmente, os 25 Povos Indígenas Warao participantes da escola de liderança estão trabalhando no módulo Acesso à Terra, Justiça e Moradia, apresentando e discutindo o conteúdo em sala de aula e outras atividades comunitárias.

No total, mais de 100 povos indígenas estão envolvidos direta ou indiretamente nessas atividades. Em abril, eles foram convidados a visitar o MPF para conhecer melhor as atribuições da instituição.

Atualmente, tramitam na Assembleia Legislativa do Pará (Alepa) e na Câmara Municipal de Belém (CMB) dois projetos de lei (PL) para garantir direitos e emprego decente aos refugiados.

Na Alepa, o PL 378/2019 pretende constituir um fundo para angariar fundos que possam ser aplicados em medidas de promoção do emprego.

Já na Câmara Municipal, o PL 230/2022 propõe a criação da política municipal para migrantes, apátridas, buscadores de refugiados e refugiados.

Serviço:
Dia Mundial do Refugiado / Introdução do diagnóstico “Warao Percepções do Trabalho”.
Data: 20/06/2022 (segunda-feira)
Horário de funcionamento: 15h00 – 17h00
Local: Auditório do Edifício Cristal Corporate na Avenida Paulo Sérgio Frota, nº 1.500, bairro Val de Cans, Belém – PA
link de transmissão

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