Do Inferno ao Céu, a rota do Flamengo, de Paulo Sousa a Dorival – 14/08/2022

O Dorival é muito bom ou o Paulo Sousa foi muito mau? A combinação das duas alternativas, ambas corretas, explica como o atual técnico recebeu do antigo time arruinado na décima quarta colocação da tabela e agora está na segunda colocação, nove pontos à frente do líder Palmeiras, uma diferença ainda grande, todas é devido ao desastroso português deve ser perguntado.

Cada jogo, cada entrevista, cada comparação mostra a diferença abismal entre os trabalhos de um e do outro. Se Sousa tivesse sido demitido um dia depois de perder o tão esperado tetracampeonato estadual, como deveria, o Flamengo provavelmente enfrentaria o brasileiro com a equipe de Abel Ferreira. Não foi assim, e por isso as principais esperanças de título do rubro-negro carioca agora estão nas copas – a do Brasil e a da Libertadores.

É admirável o que Dorival Júnior está fazendo ao reunir duas equipes eficientes que atuam em sistemas diferentes e não só vencem como também jogam bem. Importante lembrar: Paulo Sousa não conseguiu fazer nem um! Quantos times da Série A podem ser considerados mais fortes que esse Flamengo B, com Cebolinha, Pedro, Arturo Vidal, Victor Hugo, Ayrton Lucas, Fabrício Bruno, Pablo, etc.?

Por que a defesa de Sousa era uma peneira e a de Dorival quase inexpugnável, com os mesmos defensores jogando com segurança sem precedentes – o que diz o outrora ridicularizado e agora elogiado Léo Pereira? Uma pista? O europeu achou que todos tinham que se adaptar ao seu esquema e colocá-los (mesmo raciocínio torto de Domènec Torrent).

O brasileiro, por outro lado, respeita as qualidades de seus jogadores e monta sua estratégia para tirar o melhor proveito deles. Existe até uma explicação de que o time reserva joga de um jeito e o titular de outro. Faz sentido querer que um ataque formado por Gabriel, Pedro e Arrascaeta se comporte igual a outro com Marinho, Lázaro e Cebolinha?

Um dos exemplos mais claros do excelente trabalho observacional de Dorival é o posicionamento de Éverton Ribeiro, que foi escolhido com Paulo Sousa como ala-esquerda e mesmo quando voltou para a ala-direita teve que atuar como ala, entrando e saindo em um papel para o qual já não mais pernas. Júnior o colocou no meio-campo como meia-direita, reduzindo a amplitude de movimento e poupando o fôlego em favor de seu talento. Bingo!

O Flamengo de Dorival ainda não ganhou nada e pode até não ganhar. Mas voltou a ser um adversário de respeito em todas as competições que disputa, o mínimo que se deve pedir a um plantel tão caro e habilidoso. Seu grande adversário é o calendário apertado que vem sendo driblado com a escalação do Menguinho (Time B), permitindo que o Mengão (o atual campeão) fique descansado.

A boa notícia é que ambos não trouxeram nada além de alegria para os fãs. Ou alguém sente falta do sofrimento que foi assistir a todos os jogos sob o comando de Paulo Sousa?

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