Empresas vão à Justiça para impedir Boeing de contratar engenheiros brasileiros

Duas empresas que representam empresas dos setores brasileiro de defesa e aeroespacial, incluindo abraçarentrou com uma ação contra eles Boeing Exige que a empresa americana pare de contratar engenheiros brasileiros. Correspondente Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE)) e o Associação Brasileira das Indústrias Aeroespaciais (Aiab)Profissionais “altamente qualificados” são “cooptados” pela Boeing, o que “põe em perigo a sobrevivência destas empresas e, sobretudo, ameaça a soberania nacional”.

O Presidente da AIAB, Júlio Shidara, estima que a Boeing contratou 200 engenheiros brasileiros em pouco mais de um ano. Esses profissionais atuaram principalmente nos altos escalões de empresas aeroespaciais do país, como Embraer, Akaer, Avibras, AEL Sistemas e Safran, entre outras. Na Boeing, eles trabalham em uma unidade de desenvolvimento instalada no Brasil.

Na ação civil pública que tramita na 3ª Vara Federal de São José dos Campos, o advogado é Leonardo Bisolido escritório RenaultTojal – representando as empresas – defende que o número total de engenheiros que a Boeing pode extrair de uma empresa brasileira seja limitado a 0,6%, sob pena de multa para o profissional que ultrapassar esse limite. Segundo Bissoli, esse valor representa 10% do faturamento de 6% registrado pelo setor de aviação nos Estados Unidos e foi calculado levando em consideração o fato de que apenas uma empresa está contratando.

Os advogados também pedem que a Boeing seja condenada a pagar o valor total investido pela Embraer e pelos Estados Unidos ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) em um programa de especialização para engenheiros na área aeroespacial. Os recursos iriam para um fundo administrado por universidades que formam profissionais do setor. No entanto, segundo o advogado, esse programa de especialização exigiu R$ 5 milhões em um ano.

Bissoli afirma que a rescisão da Boeing ameaça fabricantes de satélites, equipamentos militares e desenvolvedores de sistemas. Algumas perderam 10% de suas equipes de engenharia em menos de um ano, e esse número chega a 70% em alguns departamentos da empresa, diz.

“Esse tipo de ação pode parecer estranho quando você imagina um setor econômico normal, mas a defesa é diferente. Ele tem apenas um cliente, o Estado brasileiro, que estabelece proteção especial para empresas que considera estratégicas. Essas empresas exercem mais do que uma atividade econômica, são o braço tecnológico de defesa da soberania do Estado”, acrescenta o advogado.

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fábrica da Boeing em Seattle;  Empresa luta para recrutar engenheiros nos EUA
fábrica da Boeing em Seattle; Empresa luta para recrutar engenheiros nos EUA Foto: Tegra Stone Nuess/The New York Times

Segundo a defesa das empresas, os profissionais já contratados pela Boeing já estavam envolvidos em projetos relacionados à defesa e segurança e tiveram acesso a informações “qualificadas” e “dados sigilosos” de projetos estratégicos para o país.

Shidara, presidente da Aiab, destaca que o caso da Embraer é ainda mais delicado porque a Boeing teve acesso a informações sigilosas em 2018 e 2020, período em que a empresa americana negociava a compra do braço comercial da brasileira.

Uma das intenções da Boeing se queria comprar Embraer, deve inclusive rejuvenescer sua equipe de engenharia com profissionais brasileiros. O problema da falta de engenheiros da Boeing é bem conhecido no mercado e se acentuou após a pandemia, quando parte dos profissionais do setor se aposentou e parte, tendo recebido apoio financeiro e se acostumando com o trabalho remoto, não quis voltar Pré-pandemia padrões. Nos EUA, a empresa está perdendo engenheiros para o setor de tecnologia.

Procurada, a Embraer afirmou que “tem conhecimento e apoia a ação civil pública movida pelas empresas contra a Boeing”. “Continuaremos a monitorar os desenvolvimentos, pois reconhecemos que este é um assunto de interesse nacional”, disse ele em nota. A Boeing se recusou a comentar.

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