Gerações do samba moldam a cultura e as faces da história de Itajaí

São muitos os elementos que compõem as faces dos 162 anos de história de Itajaí, uma cidade do litoral norte catarinense enraizada na pesca, na pescaria e no samba, ritmo considerado um dos componentes mais fortes da cultura sua história e cultura por itajaí .

O samba traz consigo pautas sociais de movimentos negros, antirracistas e libertários, e em Itajaí não é diferente. Geração após geração, o samba se mostra nos rostos de figuras icônicas da cidade, como Nega Tereza, e lugares como o Beco do Mickey.

Chico Preto e Pamela Fonseca formam os rostos da história do samba em Itajaí e região - Foto: Reprodução/NDChico Preto e Pamela Fonseca são os rostos da história do samba em Itajaí e região – Foto: Reprodução/ND

Ao lado de Nega Tereza, uma figura importante na cultura da cidade é Chico Preto, um itajaí que cresceu ouvindo o som de tambores, serenatas e serenatas. “Sempre houve música na minha casa por causa dos meus pais. Meus amigos nos visitavam, cantavam e cantavam, e eu andava em volta da mesa enquanto eles tocavam, de vez em quando pegava um instrumento que os amigos do meu pai me ensinaram a tocar”, começa Chico.

A carreira do músico, hoje diretor do Theatro Municipal de Itajaí, começou na década de 1990, tocando nos bares da cidade, o apelido “Chico Preto” surgiu como uma forma prática de identificação e se tornou a marca registrada do músico.

“Nos anos 90, com a febre do pagode, surgiu a oportunidade de tocar em uma banda e aí comecei a tocar em vários lugares aqui na cidade e também no exterior. Eram dois chicos, Chico Branco e Chico Preto, e eventualmente adotei o Chico Preto, comecei a levá-lo, a assinar o Chico Preto e carrego comigo até hoje”, explica.

Chico Preto é uma das figuras históricas mais importantes do samba em Itajaí - Foto: Fundação Cultural Itajaí/DivulgaçãoChico Preto é uma das figuras históricas mais importantes do samba em Itajaí – Foto: Fundação Cultural Itajaí/Divulgação

Entre as obras mais importantes da carreira do artista está a mostra com Elza Soares, que foi uma experiência inesquecível para Chico e uma verdadeira lição de como um artista deve se comportar com uma generosidade gigantesca por parte de Elza.

“O trabalho mais inesquecível foi o show com Elza Soares que fiz aqui em Itajaí em 2008. Sem dúvida foi algo muito importante para a minha carreira, houve uma visibilidade muito legal e claro a oportunidade de conhecer a Elza Soares que foi muito generosa comigo, uma lição de como um artista tem que ser e se comportar”, lembra.

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Chico produziu inúmeros trabalhos em colaboração com bandas e artistas de Itajaí. No início da carreira, produziu três discos contando a história da cidade e de Santa Catarina.

“Foi um projeto muito importante para mim, então comecei a carreira solo, gravei dois discos maravilhosos, tive a oportunidade de homenagear alguns amigos como o Mauro Caelum, que é um artista de Itajaí aqui, recebi composições de pessoas importantes de a cultura da cidade como o Antônio Carlos Floriano, o Sandro Silva, que são poetas e escritores aqui na cidade, então foi um trabalho que me impressionou muito”, ressalta.

Por meio do samba e da cultura, Chico conheceu a Europa com Giana Cervi e dá continuidade a inúmeras produções culturais em parceria com colegas de Itajaí e região.

Samba para Itajaí

Por muitos anos, as festas e comemorações de Itajaí foram marcadas por desfiles de escolas de samba, grupos e apresentações que escreveram os 162 anos de história da cidade por meio da música, dança e apresentações artísticas.

“O samba sempre foi muito forte em nossa cidade, meus pais participaram da escola de samba Navegante Negro, sempre estivemos envolvidos e isso influenciou muito na estrutura cultural da cidade. Os desfiles da escola de samba e dos blocos, no Marcos Konder, Hercílio Luz”, lembra Chico.

“O samba é algo muito forte que deu origem a lugares famosos como Mickey’s Beco e figuras históricas como Nega Tereza. Sempre achamos o Samba do Beco do Mickey diferente e isso nos influencia até hoje”, completa.

A forma como o samba influenciou a construção artística de Chico e a cultura de Itajaí está acontecendo em igual medida nas novas gerações que mantêm a performance do ritmo na cidade.

“Está claro que o samba teve uma influência muito forte na nossa cultura que ainda influencia hoje e influenciou minha vida como músico. Apesar de hoje eu tocar estilos diferentes, sempre tem algo de samba nas minhas composições”, enfatiza.

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Pamela Fonseca, vocalista do grupo Rabo de Saia, também ressalta a importância fundamental do samba para a cultura de Itajaí, o ritmo é considerado patrimônio cultural não só do Brasil, mas também da cidade.

Pamela Fonseca, vocalista do grupo Rabo de Saia - Foto: Reprodução/NDPamela Fonseca, vocalista do grupo Rabo de Saia – Foto: Reprodução/ND

“O samba em Itajaí é fundamental, primeiro porque é um patrimônio imortal e imaterial brasileiro, e para Itajaí é fundamental, primeiro, preservar a cultura da cidade por gerações, e também porque o samba é uma forma de resistência negra, afro e manifestação é negra”, defende Pamela.

Da marginalidade, o samba tornou-se símbolo primordial da cultura e resistência negra em Itajaí

Não só por ser tocado por negros, o Samba traz consigo a resistência e luta dos negros brasileiros em suas letras, a história e o desenvolvimento da luta antirracista no Brasil é escrita através das letras do Samba.

“Se considerarmos que no início do século passado o samba era extremamente marginalizado e hoje já se consolida como uma das maiores e mais populares manifestações da arte e da cultura brasileira, para Itajaí ter esse movimento de arte e cultura é muito importante a resistência. ”, começa Pâmela

De acordo com o censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em 2019, 80% da população de 7,1 milhões de pessoas se declaram brancas, 16,5% pardas e 3% se reconhecem pretas diante desses números, sendo o Samba um forte elemento de A cultura de Itajaí é algo muito importante.

“A gente mora nesse estado, que é proporcionalmente mais branco, então aqui como manifestação cultural, o samba é uma forma de resistência e unificação dos negros, e tenho receio de dizer que vivo do samba, aprendi a ouvir samba e gostar no quintal da cidade, minha família, é uma manifestação muito energizada e vivenciada na minha vida e na vida da minha família”, enfatiza.

As novas caras do Samba

Durante uma festa, onde cantou de forma despretensiosa, Pamela Fonseca chamou a atenção de Regina, que na época tocava cavaco na banda, o convite de Pamela para integrar o grupo Rabo do Saia veio de imediato.

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Atualmente, o Rabo de Saia é um dos grupos mais populares da região ao lado de Thays Peclat, infundindo samba e pagode na geração atual através da diversidade e do poder ativo das mulheres.

Pâmela Fonseca e Thays Peclat estão prestes a embarcar em uma tripla jornada pelo amor à música, especialmente ao samba - Foto: Reprodução/InternetPâmela Fonseca e Thays Peclat enfrentam uma tripla jornada pelo amor à música, principalmente ao samba – Foto: Reprodução/Internet

“Peixera”, assim como Chico Preto, as referências do samba em Itajaí a Pamela vieram dos negros, o que contribuiu para a formação musical e social do cantor.

“Minha ligação com o samba em Itajaí vem do povo negro, das grandes rodas de samba que acontecem na cidade, acompanho esse movimento há muito tempo no Sebastião Lucas, Casa de Bamba, Mercado Público e outros grandes espaços das rodas de samba dos grupos aqui da cidade. Itajaí sempre foi um celeiro musical”, enfatiza Pamela.

A cidade tornou-se um círculo musical que contou com a presença de bandas e nomes de importância nacional como Mart’nália, Fundo de Quintal, Jorge Aragão. “Já ouvi muitos desses artistas em eventos pela cidade, em clubes antigos ou em casas de shows. É até difícil citar todos os nomes porque havia muitas referências a pessoas e lugares icônicos do samba aqui na nossa região”, ressalta Pamela.

Vindo de uma geração anterior à de Pamela, Chico Preto está atento às novas gerações da cultura e do samba que surgem na cidade, voltando a frequentar lugares negros como Sebastião Lucas, Beco do Mickey e outros lugares.

“Hoje vemos vários grupos de samba surgindo. Na recente virada afrocultural em Sebastião Lucas, casa do samba, casa da comunidade negra aqui em Itajaí, foi legal ver o Sebastião Lucas com o pessoal que está construindo e fazendo o movimento do samba em Itajaí e consumindo o samba. essa cultura de raiz de Itajaí poderia ser revivida”, lembra Chico.

Para Pamela hoje, Rabo de Saia propõe uma mistura de todos os ritmos e ramificações do samba. O crescimento do grupo traz consigo a responsabilidade de entregar um espetáculo mais profissional, com maior participação na agenda e shows pela cidade e região.

“Quanto maior o público que alcançamos aqui na região e até mesmo fora do país, maior o nosso respeito pela música, pelo público, pelo som que entregamos e a resposta das pessoas nos faz sentir respeitosos e reconhecimento além disso muito felizes em ver pessoas curtindo e curtindo nossos shows”, finaliza Pamela

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