Lavagem nasal: para que, indicado e como – 07/07/2022 – Balanço

A chegada do inverno não só provoca uma sensação térmica mais fria, mas vem acompanhada de uma série de doenças que têm como sintoma a congestão nasal, como gripes, resfriados, infecções, rinites, sinusites, rinossinusites, entre outras.

Segundo a ABORL-CCF (Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial), a queda da temperatura eleva em cerca de 40% o índice de doenças respiratórias.

Uma vez instalados os sintomas respiratórios, há aquela sensação desconfortável causada pela falta de ar nas narinas, que piora à noite. Como resultado, o sono é pior, a boca fica seca, o nariz escorrendo e até a irritação são mais comuns nessa época do ano.

Especialistas dizem que dormir com a boca aberta devido à congestão nasal em crianças afeta o desenvolvimento e o crescimento dos ossos faciais, reduz o aprendizado, causa dificuldade de concentração, altera a alimentação, causa inquietação, sonolência e irritabilidade.

Mesmo em adultos, o ronco devido ao nariz entupido é uma das principais consequências da respiração bucal. “O ronco é intolerável, assim como a respiração bucal. É preciso procurar um médico”, alerta o otorrinolaringologista Pablo Marambaia.

Para tratar a congestão nasal, Marambaia, membro da Câmara Técnica de Otorrinolaringologia do Conselho Regional de Medicina da Bahia, recomenda a realização de lavagem nasal com soro fisiológico sem contraindicação.

As situações mais comuns em que os otorrinolaringologistas indicam a lavagem nasal é para auxiliar no tratamento da rinite alérgica e não alérgica, que são processos infecciosos agudos causados ​​por vírus e infecções bacterianas agudas ou crônicas.

Seringas, sprays, limpadores e potes neti são algumas das ferramentas que podem ser usadas para limpar o nariz. O acessório é endossado pelo presidente da Marambaia e da ABORL-CCF, Renato Roithmann.

“Existem diferentes maneiras de fazer a lavagem, desde simples sprays de solução disponíveis em farmácias até lavagem a granel com solução salina”, diz Roithmann. “Depende da situação clínica do paciente”, continua o presidente.

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Mas em um momento em que vários vídeos com dicas de lavagem estão se tornando virais na Internet, incluindo bebês com água espirrando pelo nariz como se fosse uma mangueira aberta, Marambaia está soando o alarme.

“Hoje se fala muito em lavar com grande quantidade de soro, mas a quantidade tem que corresponder ao tamanho do paciente”, diz. “Nas redes sociais vemos crianças pequenas que são lavadas com muito volume”, aponta.

Marambaia explica que a overdose pode afetar a conexão do tubo auricular que liga o nariz ao ouvido. “Se você exagerar, existe o risco, principalmente em crianças, de o soro entrar no ouvido e causar inflamação”, alerta.

Na avaliação de Roithmann, a lavagem de alto volume é considerada quando mais de 60 mL de solução salina são colocados em cada cavidade nasal. “O que só é recomendado para casos de pacientes com rinossinusite crônica”, observa.

Para Marambaia, o ideal é aplicar 5 ml de soro em cada narina nas crianças e até 20 ml nos adultos. “É bom que o soro seja aquecido um pouco para que fique na temperatura do corpo. Qualquer coisa fria prejudica os mecanismos de defesa do nariz, como a produção de muco”, diz ele.

O presidente também aconselha não aplicar pressão ao lavar e manter a boca aberta ao lavar em alto volume. “Dessa forma, o líquido entra por uma narina e sai pela outra. Esse é um detalhe importante”, informa.

O uso de gotas descongestionantes por mais de cinco dias não é recomendado por nenhum dos dois especialistas, devido ao risco de o paciente desenvolver rinite pela própria droga, que também pode causar dependência química.

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“As gotas proporcionam alívio temporário, mas a própria droga torna necessário o uso novamente”, alerta Roithmann.

“Não recomendamos seu uso, pois pode fazer com que o nariz fique viciado apenas para descongestionar com a droga”, conclui Marambaia.

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