Lula minimiza impasse na defesa: ‘Não me apoiarei em futilidade’ – Política

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O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está em Lisboa, capital de Portugal, nesta sexta-feira (18/11). (Foto: CARLOS COSTA/AFP)

O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) minimizou nesta sexta-feira (18/11) as dificuldades para definir sua equipe de transição no setor de defesa, dizendo que nunca teve problemas com militares e forças armadas.

Em Lisboa, Lula disse não temer a resposta dos militares ao seu governo, nem os comentários do general da reserva Walter Braga Netto – que concorreu à vice-presidência na fogueira de Jair Bolsonaro (PL) e compartilhou o recado desta semana a favor das manifestações anti-democracia, que decorrem por todo o país.

“Nunca tive problema com o que os militares falaram em oito anos de governo. Então não estou preocupado com o que o general Braga Netto diz”, disse Lula.

“A chefia das Forças Armadas é muito tranquila, a chefia das Forças Armadas me conhece, e na hora certa eu vou indicar quem vai ser o comandante da Marinha, da Aeronáutica e do Exército. E no Brasil também vai voltar a normalidade entre as Forças Armadas e o governo”, acrescentou.

O governo interino decidiu aguardar o retorno de Lula de uma viagem ao exterior para finalizar a composição do grupo técnico responsável pelo setor de defesa – setor fortemente ligado ao bolsonarismo e oposto ao PT.

O coordenador dos grupos técnicos para a transição, ex-ministro Aloizio Mercadante (PT), reconheceu que há um “problema institucional” relacionado às Forças Armadas.

Departamento de Defesa

Na manhã desta sexta-feira, Mercadante anunciou que Lula indicaria um civil para o cargo de secretário de Defesa. “O presidente já disse isso publicamente. O secretário de defesa vai ser um civil, foi no governo dele e vai ser”, afirmou.

Mercadante explicou que o grupo de trabalho para tratar da questão militar em transição deverá ser anunciado no início da próxima semana e que todos ficarão agradavelmente surpreendidos “pela representatividade e calibre das pessoas que vão participar”.

Em Lisboa, Lula disse que “as coisas são criadas de acordo com o tempo que leva para criá-las”. “A partir de segunda-feira assumo a minha função de coordenação geral, vou começar a trabalhar na ideia de começar a formar um governo e vou formar os grupos de transição que ainda não foram formados.”

O petista disse não achar que tem problemas na relação com os militares. “Também não me deixarei guiar por fofocas e Twitter. As Forças Armadas brasileiras têm uma obrigação constitucional e tenho certeza de que a cumprirão, como fizeram em meu primeiro mandato.” ele adicionou.

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