Nomes do setor de turismo e eventos já sentem uma recuperação

Para quem quer se divertir, o Rio é “o” lugar novamente. A cidade conta já com um programa completo de espetáculos até ao final do ano – para todos os gostos e que marca também o regresso das digressões internacionais – ao nível dos tempos pré-pandémicos. Sem falar que é o ano do Rock in Rio, cujos ingressos esgotaram rapidamente – para o dia com Justin Bieber, eles “voaram” em 12 minutos. O evento deve trazer 300 mil turistas à cidade e elevar a taxa de ocupação da rede hoteleira para quase 100%. O setor de hospedagem está saindo de uma temporada melhor do que o esperado, com um ‘verão’ se estendendo até um segundo carnaval em abril.

O clima é confiável para turismo e entretenimento. A francesa GL Events, que administra o Riocentro e a Jeunesse Arena – o maior centro de convenções e palco do Rio, ambos na Barra – reabre em junho o hotel de 306 apartamentos do centro de convenções e exposições.

“Não há lugar como a Barra. Deveria ser chamada de cidade dos eventos – sugere Milena Palumbo da GL Events.

A Dream Factory, que administra o programa na Marina da Glória, prepara, entre outras coisas, a largada da Maratona do Rio em junho e da ArtRio em setembro.

No entanto, o turismo corporativo, grande produtor de recursos, ainda se move lentamente, pois movimenta uma extensa cadeia. Mas o anúncio do Web Summit, maior encontro de tecnologia do mundo, daqui a um ano no Riocentro, dá um sinal de esperança: o segmento espera 2023.

— Quando se trata de turismo, estamos falando de taxistas a executivos. É o nosso principal produto, tem que ser tratado com cautela – diz Roberto Medina, “pai” do Rock in Rio.

“É um show atrás do outro, alguns vendido”

Milena Palumbo, CEO da GL Events no Brasil
Milena Palumbo, CEO da GL Events no Brasil Foto: Agencia O Globo

“O mercado de entretenimento tem uma enorme capacidade de reação, pois há necessidade de colocar em dia as turnês nacionais e internacionais. A Jeunesse Arena não tem mais fins de semana disponíveis até o final do ano. É um show atrás do outro, alguns vendido (Exausta). Tivemos que abrir um encontro extra com Marisa Monte. A pandemia mostrou que cultura e entretenimento também são essenciais para o ser humano e as pessoas estão ansiosas para conhecer artistas. É uma atmosfera diferente da turnê em um ano normal. Mas o que é mágico no mundo do entretenimento não se repete no mundo dos eventos técnico-científicos e das feiras. Esse segmento precisa de um pouco mais de tempo para se recuperar por ser uma cadeia produtiva mais complexa. E as feiras têm sido fortemente influenciadas pelo ambiente de negócios carioca. É um mercado sensível, mas extremamente importante porque gera uma enorme divisa para a cidade. Hoje o Riocentro trabalha com 50% do que costumamos ter para feiras de médio e grande porte que exigem um ano de planejamento e captação de recursos. Há mais demanda para 2023, mas ainda não vamos voltar a 100%, vamos a cerca de 70%. Se você está trazendo uma Web Summit para o Riocentro, esse é um ótimo destino. O Rio precisa fazer um calendário. Assim, o mercado hoteleiro é organizado e independente do carnaval e do verão.”

Milena Palumbo, CEO da GL Events no Brasil

“Somos um produto gigantesco”

Roberto Medina, empresário que fundou o Rock in Rio
Roberto Medina, empresário que criou o Rock in Rio Foto: Roberto Moreyra / Agência O Globo

“Passamos dois anos olhando para nossa finitude de frente. Eu pensei que se a máscara fosse tirada as pessoas iriam aplaudir. Mas esse sentimento ainda não aconteceu. E o Rock in Rio pode ser essa porta para celebrar o reencontro. É um privilégio trabalhar em algo que é um bem econômico para o país e ao mesmo tempo toca a alma das pessoas. O mundo está muito dividido, estressado, e a música é o encontro dos diferentes, porque a alegria não tem lados. Infelizmente, o Brasil não leva muito a sério o setor de turismo, que é visto como um impulso para a economia. Somos um produto gigantesco. No Estado do Rio, o impacto do setor é de R$ 27,5 bilhões por ano. Carnaval e Rock in Rio sozinhos somam R$ 5,5 bilhões. E é moeda gerada na hora, diferentemente do que acontece no setor industrial, onde há tempo de maturação dos projetos. Estamos passando por uma recuperação, não tenho dúvidas sobre isso. No Rock in Rio teremos 85% da capacidade hoteleira ou mais. Serão 300.000 turistas. Muitos pensam que uma festa é um gasto e uma ponte é um investimento. Festa também significa mais dinheiro para saúde e escolas. E no Rio temos hotel, beleza natural, gente hospitaleira. Basta abrir a porta, iluminar a cidade e não perder esta oportunidade.”

Roberto Medina, empresário que fundou o Rock in Rio

“Eventos mantêm os hotéis ocupados”

“Ficamos fechados por oito meses durante a pandemia. Retomamos em novembro de 2021, achávamos que o final do ano seria maravilhoso mas aí veio a segunda onda de Covid. Não fechamos nenhum hotel, mas a situação era muito complicada. Após uma recuperação lenta e gradual, o Rio culminou em um Réveillon excepcional com casa cheia. E o carnaval sem carnaval ficou 86% ocupado. O carnaval real com desfile na avenida teve 81%. Todo este período de alta temporada prolongada foi caracterizado por uma alta ocupação, principalmente em hotéis de luxo. Quase todos os hóspedes são brasileiros, principalmente muitas pessoas de alta renda. Esse segmento voltado para o turismo de lazer deve ser abastecido ainda mais no centro da cidade em maio, junho, julho e agosto, pois haverá muitos eventos no Rio. Basicamente turismo nacional, porque o dólar continua alto e a guerra na Europa tem repercussão internacional. Além disso, há falta de assentos aéreos na rede internacional. Em termos de turismo corporativo, as empresas em geral sofreram muito. Notamos o regresso destes eventos, mas sempre com marcações de última hora. Mas nem sempre vai ser assim, depende do momento, porque se você planejar, consegue melhores preços dos fornecedores. O Rio precisa melhorar o ambiente comercial e de negócios. Estes são os eventos que mantêm a ocupação do hotel: representam entre 50% e 60% dependendo da localização. E temos hotéis que se concentram exatamente nisso. E quando você tem eventos, você tem uma série de despesas que beneficiam toda uma rede da cidade. A volta do turismo de lazer é uma coisa maravilhosa, mas não é suficiente.”

Alfredo Lopes, Presidente da Hotels Rio

“Este ano é mais um ano de recuperação”

Fernando Soprador de Hotéis Rio
Fernando Blower, dos Hotéis Rio Foto: Ana Branco / Agência O Globo

“No Rio de Janeiro, o turismo tem um impacto enorme nos bares e restaurantes, principalmente nas proximidades de hotéis como Barra e Zona Sul ou áreas turísticas. O réveillon e esses dois carnavais, embora não sejam o que eram antes da pandemia, têm um aspecto psicológico e comportamental para mostrar uma resposta. O turismo doméstico está muito forte agora, mas o turismo internacional não voltou. Estamos felizes que o Rio esteja mais uma vez se tornando um expoente do turismo no Brasil. Este ano ainda é um ano de alta porque, juntamente com os desafios da pandemia que ainda enfrentamos hoje, como passivos e dívidas, há custos e pressões inflacionárias que permanecerão. Em um ano difícil em termos de gastos, é importante ter outras fontes de renda. E o turismo é um vetor importante nessa base. E o Rio ainda tem muito o que fazer e melhorar. Estamos melhores hoje do que em anos anteriores. Melhoramos muito a imagem da cidade e reduzimos a burocracia. Mas a cidade ainda está longe de ser um lugar extremamente atrativo. Temos nossas dores, como no controle da cidade, na informalidade e na segurança pública. Até resolvermos esses problemas, nosso limite sempre será baixo”.

Fernando Blower, presidente do Sind. de bares e restaurantes no Rio

“Estou muito otimista para 2023”

“Desde março, os eventos voltaram, criando os momentos de reencontro que as pessoas esperavam. Este ano vivemos um calendário super intenso com eventos adiados em 2020 e 2021, o que estimula o turismo e o comércio e gera empregos. Eventos ao ar livre, especialmente esportes, festivais e shows, são atualmente uma grande prioridade para o público. O segundo semestre do ano será um período muito importante, pois refletirá a retomada dos investimentos das marcas que, claro, foram retiradas até março e abril deste ano. E que agora estão começando a reconstruir seus investimentos em patrocínios de entretenimento ao vivo. Estou muito otimista para 2023 como o ano realmente limpo, de janeiro a janeiro, não afetado por uma pandemia e com investimentos integrais dos patrocinadores. O mercado como um todo sofreu muito nestes dois anos e agora tenta reconstruir sua cadeia produtiva, controlar a inflação e reduzir o poder de compra do público. A Dream Factory adaptou-se rapidamente em 2020, cresceu em 2021 e está agora, nesta recuperação de 2022, a investir para desenvolver nova propriedade intelectual de entretenimento ao vivo e fortalecer o seu sistema de negócios. Acreditamos no Rio e no Brasil.”

Duda Magalhães, Presidente da Dream Factory

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