O médico que supervisionou a cirurgia de Lula diz que o risco de câncer é “quase zero”.

O exame final confirmará a primeira opinião feita durante o procedimento, que não mostrou sinais de tumor maligno na leucoplasia retirada das cordas vocais

21 de novembro
2022
– 13:36

(atualizado às 14h)




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Foto: Rodrigo Antunes/Reuters

A probabilidade de malignidade da lesão retirada das cordas vocais do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é “quase zero”, afirmou estao Luiz Paulo Kowalski, cirurgião de cabeça e pescoço do Hospital Sírio-Libanês e integrante da equipe que atendeu o candidato do PT.

Segundo o especialista, o exame feito durante a operação, durante o qual foi analisada a amostra colhida, já evidenciava a ausência de neoplasia (tumor maligno), mas, como de praxe, a peça cirúrgica foi encaminhada para exame anatomopatológico detalhado, cujo resultado dos quais deve vir entre o dia 24 e 48 horas fora.

“É muito raro o exame definitivo mostrar o contrário nesse caso. O patologista que fez a análise no momento da operação é muito experiente e não teve dúvidas (sobre a presença de células cancerígenas🇧🇷 Eu diria que a probabilidade de malignidade é próxima de zero”, explica o médico, que também é professor de cirurgia de cabeça e pescoço da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

Lula passou por uma cirurgia na noite de domingo, dia 20, para retirar a lesão suspeita. A lesão, batizada de leucoplasia, foi diagnosticada em 12 de novembro em um exame de rotina que também mostrou remissão completa do tumor diagnosticado no presidente em 2011.

Apesar disso, a equipe médica decidiu retirar a leucoplasia para análise e prevenção, já que esse tipo de lesão tem 10% de chance de desenvolver câncer. Segundo Kowalski, o fato de o presidente já ter um tumor na laringe e ter mais de 65 anos aumenta o risco, daí a decisão de retirá-lo totalmente.

A operação, realizada sob anestesia geral, começou por volta das 20h de domingo e durou cerca de 40 minutos. O procedimento transcorreu sem intercorrências e o presidente foi liberado cerca de 12 horas depois, na manhã desta segunda-feira, 21.

Segundo o cirurgião, o presidente não deve abusar do uso da voz na primeira semana de recuperação e deve fazer terapia fonoaudiológica por pelo menos duas semanas. “Ele deveria descansar a voz, mas pode falar normalmente, participar de reuniões e fazer ligações. O que ele não pode é exagerar, forçar, gritar nas falas, falar muito porque isso pode atrapalhar a cicatrização”, explica o especialista. “Mas ele pode continuar fazendo atividades de transição, que não vão atrapalhar em nada, ele vai poder opinar nas decisões. Mas ele precisa ser mais ouvinte, não forçar tanto a voz”, disse o médico.

A fonoaudiologia, explica Kowalski, ajudará o presidente a usar suas cordas vocais “silenciosamente e sem muito esforço”, especialmente durante esta fase de recuperação. Ele deve nascer nesta terça-feira, 22 de abril.

Além dos cuidados pós-operatórios, Lula deverá passar por cinco anos de exames para monitorar o eventual surgimento de novas lesões. “Ele deveria fazer laringoscopia regular. No início, isso será feito em intervalos de três a quatro meses. Depois de um ano, o intervalo entre um exame e outro pode ser maior”, comenta o médico.

Como foi a cirurgia?

A cirurgia de Lula foi feita sem incisões externas e auxiliada por um aparelho que utiliza um laser para retirar com mais precisão a leucoplasia. A lesão removida tinha cerca de 5 milímetros de tamanho, de acordo com Kowalski. Para se ter uma ideia, uma corda vocal tem cerca de um centímetro de comprimento.

Segundo o cirurgião, nesse tipo de procedimento, os instrumentos cirúrgicos são inseridos pela cavidade oral. “Estamos introduzindo um laringoscópio e um microscópio cirúrgico com os quais podemos ver com muita clareza o aspecto e as bordas da lesão. Nenhuma incisão é feita”, explica o médico. “São instrumentos muito delicados. Assim, o paciente pode comer e falar algumas horas depois, desde que não exagere”.

O cirurgião explica que também foi utilizado um aparelho que utiliza um laser para cortar a lesão. “Isso facilita o procedimento graças a uma incisão muito precisa e à cauterização de pequenos vasos, o que favorece a cicatrização”, diz o médico.

O cirurgião disse ainda que foi necessário retirar “um pedacinho” de uma estrutura na região conhecida como falsa corda vocal. “Estava um pouco inchado porque o paciente já havia feito radioterapia no passado e a voz havia sido muito usada nas últimas semanas. Dessa forma, tivemos que retirar um pequeno pedaço para facilitar a visualização e o acesso à área a ser operada.”

Kowalski explica que a lesão foi totalmente retirada e encaminhada para exame. No momento da operação, um patologista já havia feito o que se chama de congelação e descobriu que era uma displasia leve e de baixo risco”, disse ele.

Sete profissionais compareceram ao procedimento, além da equipe de apoio clínico que ficava de prontidão em caso de ocorrência. “Devido à idade do Presidente, temos uma equipa de apoio clínico liderada pelo Dr. Roberto Kalil, mas o processo foi muito tranquilo. Ele é um paciente idoso, mas muito saudável”, disse o médico.

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