Pesquisadores da USP, UFSCar e UFABC atestam a confiabilidade das urnas

Pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo), UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) e UFABC (Universidade Federal do ABC) atestam a idoneidade do sistema eleitoral brasileiro, mais uma vez questionado por relatórios publicados por instituições sem respaldo técnico conhecimento do sistema de votação eletrônica.

No documento “Comentários sobre alegações infundadas ou falsas sobre urnas eletrônicas no Brasil”, publicado em 11 de novembro, especialistas das 3 instituições de ensino esclarecem dúvidas que surgiram recentemente sobre o processo eleitoral brasileiro, em especial com base em declarações feitas em relatório referente ao 1.º turno eleitoral deste ano, de autoria desconhecida, mas amplamente divulgado na internet.

O professor adjunto da Escola Politécnica Wilson da USP, Vicente Ruggiero, diz que tais afirmações não têm respaldo técnico ou base que sustentem indícios de comportamento inautêntico das urnas eletrônicas. Ruggiero também integra o grupo de trabalho criado por meio de convênio com o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para realizar uma auditoria externa do sistema eleitoral.

“Assinamos um convênio com o TSE que nos permite fazer testes de segurança nas urnas. Recebemos modelos de urnas de 2020 e 2015, juntamente com toda a documentação com códigos fonte e compilados, o que nos permitiu realizar diversos testes. Daí as alegações [sobre a não confiabilidade do sistema eletrônico de votação] são infundados”diz Ruggiero.

Para o coordenador da modernização do TSE, Célio Castro Wermelinger, é importante que instituições como a USP e outras que já testaram a confiabilidade do sistema se manifestem diante da desinformação. Além da USP e da UFSCar, o Centro de Informática da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) e o Instituto de Computação da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) fazem parte de um projeto piloto de verificação do sistema.

“É importante que uma instituição tão relevante quanto a USP confirme as qualidades do processo com base nas análises que fez com total liberdade. Ter uma autoridade externa independente e capaz de refutar falsas tentativas de minar a confiança no processo eleitoral é sinal da transparência e confiabilidade da solução proposta pelo judiciário eleitoral.”diz Wermelinger.

Análise e Esclarecimentos

Ruggiero e Marcos Antonio Simplicio Junior, professor adjunto da Politécnica da USP, destacam pelo menos 3 inconsistências no relatório publicado na internet. Um dos argumentos era que as urnas dos modelos anteriores a 2020 “Você não tinha documentação de auditoria atual e os relatórios extraídos não são auditáveis”🇧🇷

O professor Ruggiero destaca que no último teste de segurança pública do ano passado, 26 grupos de pesquisa testaram e reportaram todos os dados das urnas pré-2020. Em relação ao modelo mais recente, em sua opinião, o equipamento passou por uma “Teste bastante completo e não há justificativa para esta afirmação”🇧🇷

O 2º tópico rejeitado pelos pesquisadores da universidade diz respeito à “Presença de pequenas diferenças entre os arquivos log das urnas, com correspondência entre pelo menos 2 softwares nas urnas, em modelos diferentes, independente de modelo específico”🇧🇷

Como explicam os professores, o protocolo é o registro das atividades nas urnas. Isso permite localizar todas as alterações e acessos no software do aparelho, gerando dados arquivados que podem ser solicitados e conferidos no portal da transparência do TSE. Segundo os professores, as críticas não se sustentam “Apenas um software é usado em todas as urnas. O que muda é a versão física das máquinas [o hardware]que pode ser de 2020 ou 2015″🇧🇷

Os cientistas também esclareceram a insinuação sobre uma “suposta suspensão que impediria a votação total dos candidatos que impediria a ultrapassagem de certo número de votos”🇧🇷 Para eles, a acusação deve ser refutada porque há diferenças no número de eleitores nas seções eleitorais. “Esta é a realidade de qualquer assembleia de voto, e nessa assembleia de voto existe um número máximo de eleitores designados para votar. Então esse suposto castelo é ultranatural.”diz Ruggiero.

Combate à Desinformação

Pesquisadores da USP e da UFSCar também ressaltaram a importância de esclarecer como funciona o sistema de votação eletrônica, combatendo discursos questionáveis ​​e refutando qualquer tipo de afirmação sem embasamento técnico-científico.

Para Ruggiero e Simplicio, questionar a confiabilidade das urnas por meio de relatórios infundados e cheios de linguagem técnica é um dos principais mecanismos utilizados pelos grupos que contestam o sistema. Segundo eles, a tática dessas pessoas é dar uma conotação aparentemente técnica e confusa para que o leigo não consiga entender realmente como funciona o sistema e fazer os cidadãos acreditarem em tais argumentos.

“Todas as afirmações falsas e inexplicadas não param. As notícias falsas viajam muito mais rápido do que as explicações, mas tentamos manter uma frequência de revisão que eduque o público”.acrescenta Simplício.

Além de Ruggiero e Simplicio, o relatório é assinado por Felipe Kenzo Shiraishi, engenheiro e mestrando da Escola Politécnica da USP; Lucas Lago, Mestre em Engenharia de Computação pela mesma escola; Paulo Matias, Professor Adjunto do Departamento de Computação da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) e Tiago Barbin Batalhão, Doutor em Física pela UFABC (Universidade Federal do ABC).


Com informações de Jornal da USP e o TSE.

Leave a Comment