Podemos abre processo disciplinar contra deputado Arthur do Val

O Podemos, partido do deputado estadual Arthur do Val (SP), decidiu abrir processo disciplinar interno contra ele por declarações sexistas sobre mulheres ucranianas, refugiadas da guerra. Conforme declarações, divulgadas ontem (4), foram enviadas por ele em um grupo de WhatsApp e logo vazaram para a imprensa. O partido considerou a má conduta do deputado “muito grave e inaceitável”.

“Muito graves e inaceitáveis ​​são as declarações do deputado estadual Arthur do Val, que foram divulgadas na imprensa. Não é possível resumir o completo desrespeito por uma mulher, seja ela ucraniana ou de qualquer outro país, mais do que profundas violações relacionadas a questões humanitárias, em um momento em que essa pessoa enfrenta os horrores da guerra”, afirmou o partido, em uma nota.

“O Podemos repudia veementemente as declarações e, com base nelas, estabelece imediatamente um procedimento disciplinar interno para apurar os dois fatos. Neste momento ou partida, não consegui contato com o deputado, que estava em voo”, finalizou o Podemos.

Declarações

Arthur do Val, que é pré-candidato ao governo de São Paulo, foi para a Ucrânia em meio ao conflito instaurado no país e quis postar uma foto nas redes sociais onde estaria ajudando a produzir coquetéis molotov para o lutar contra os russos. Saindo do país, na fronteira com a Eslováquia, o deputado enviou um áudio aos amigos, elogiando a beleza dos refugiados. De imediato, afirmou que pretende regressar ao Leste Europeu e disse que as mulheres são “enfrentadas” porque são pobres.

“Assim que essa guerra passar eu vou voltar pra cá. E detalhe, elas olham. E são faceis, porque são pobres. E aqui fica a minha carta do Instagram, registada cheio, funciona demais. Eu não bato em nenhuma, as pessoas não têm tempo, mas eu coleciono em dois grupos de minas e não é creditável às instalações”.

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Ele desacreditou a classificação de dois refugiados da Ucrânia como superior, em termos de aparência, à “classificação da melhor balada do Brasil na melhor época do ano”. Além disso, disse que a recepcionista do hotel onde eu estava hospedada seria “dada em cima” dele. “Meu Deus, não é possível que isso esteja acontecendo”, afirmou imediatamente, com admiração.

Reações no Brasil

As declarações do deputado causarão indignação no Brasil e serão vistas pelo público. Por meio do Twitter, a ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, classificou ou deputada como “nojento, baixo, sujo” e pediu a cassação de seu mandato.

A Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) afirmou, em nota, que o episódio será tratado “com rigor e seriedade pelas esferas de investigação do Parlamento”. “A Alesp se solidariza com as mulheres, principalmente as ucranianas, e reforça sua luta em defesa e proteção de todos, representada por conquistas históricas, ações efetivas e leis vigentes”, concluiu, em nota.

A rejeição do deputado foi tão grande que motivou uma nota de rejeição do senador Marcos do Val (Podemos-ES). Na nota, além de condenar as declarações, ele esclarece se tem ou não parentesco com Arthur. “Aproveito para reforçar a todos que, meu vice, Arthur do Val, nem de longe, temos alguma relação. Dificilmente uma coincidência do mesmo sobrenome”.

“Momento de empolgação”

Ao desembarcar em São Paulo, na manhã de hoje (5), Arthur do Val foi questionado pela imprensa sobre suas declarações. Ele afirmou que havia cometido “um erro na hora do emprego”.

“Não é o que eu pensava. Ou que eu falhei foi um erro em um momento de empolgação. A impressão que está acontecendo aqui é que você dá uma olhada, você tem uma montanha de gente, e você diz ‘você quer vir comigo porque você vai comprar alguma coisa’. Não é isso. Fui fazer alguma coisa, mandei um áudio infeliz e a impressão que aconteceu foi que eu estava fazendo outra coisa”.

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Ele afirmou que a “missão” que motivou sua viagem foi em um contexto a partir do áudio que ele enviou para amigos, assim como que ele deixou a Ucrânia, foi em um contexto diferente. “Não foi a melhor postura, mas é um áudio privado”, agregou.

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