Post corrompe áudio e mente ao afirmar que Lula foi xingado em Caruaru – Comprova


Trata-se de conteúdo falso postado no Facebook informando que Lula foi assediado enquanto participava da Festa Junina em Caruaru, Pernambuco. O lançamento foi editado com a introdução de áudio com gritos de “ladrão”. No conteúdo original, o ex-presidente é aplaudido por um aliado em Uberlândia, Minas Gerais, durante ato político. Um jingle de campanha eleitoral é tocado nos correios.



Post falsifica áudio e mente ao afirmar que Lula foi xingado em Caruaru




Post falsifica áudio e mente ao afirmar que Lula foi xingado em Caruaru
Foto: prova



Conteúdo examinado: O vídeo no Facebook mostra Lula em um palco ao lado do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil. O ex-presidente segura uma bandeira brasileira nas mãos. Gritos de “ladrão, ladrão” podem ser ouvidos no conteúdo. A legenda zomba: “O formador de opinião foi à Festa Junina em Caruaru-PE e foi muito elogiado pelo povo”.

Onde foi publicado: Facebook.

Conclusão do exame: Um vídeo compartilhado no Facebook é falso e afirma que o ex-presidente e pré-candidato à Presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi vaiado e chamado de ladrão durante festa em Caruaru (PE) em junho. O vídeo que circula na rede social é na verdade uma montagem. O áudio com os palavrões foi posteriormente editado.

As imagens foram tiradas no dia 15 de junho em um evento político em Uberlândia (MG) que Lula participou junto com o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PSD-MG). Não há registro de PT em nenhuma festa junina em Caruaru.

A postagem também questiona a credibilidade das pesquisas de intenção de voto, zombando: “O líder das pesquisas foi à Festa Junina em Caruaru-PE e foi extremamente festejado pelo povo”. A acusação sugere que o ex-presidente tem baixa popularidade, o que não é verdade. Ele aparece em primeiro lugar nas pesquisas de intenções de eleições presidenciais, que usam métodos científicos para obter uma imagem do momento.

Falso para o Comprova é o conteúdo inventado ou editado para alterar seu significado original e intencionalmente disseminado para espalhar uma inverdade.

Escopo da publicação: Em 24 de junho, o post recebeu mais de 1.300 compartilhamentos, 138 comentários e 351 curtidas no Facebook. A postagem já foi sinalizada como “informação falsa” pela plataforma.

O que diz o autor da publicação: No Facebook, a postagem foi feita por um usuário que costuma postar conteúdo em apoio a Jair Bolsonaro. Em sua foto de perfil, ela ainda revela o número 22, em alusão ao PL, partido ao qual o presidente pertence. O mesmo conteúdo foi postado por um seguidor em um grupo chamado Dr. Damares, eu apoio a Ministra dos Direitos Humanos, dividida. Ambos foram contatados pelo Comprova, mas não responderam.

Como verificamos: A publicação analisada pelo Comprova já foi objeto de avaliações de outros órgãos como Aos Fatos, Boatos.org e AFP Checamos, que serviram de base para o início desta avaliação. A partir daí foi possível encontrar o vídeo original postado no TikTok.

Nesse conteúdo, foi possível ouvir um trecho do que parecia ser um jingle de campanha eleitoral, contendo as seguintes palavras: “Sou de Minas Gerais, coração do Brasil…”. Uma busca no Google por esse trecho encontrou um vídeo no YouTube, no canal de Lucas Rodrigues, que continha a informação de que se trata de um jingle pré-campanha do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PSD). ao governo de Minas Gerais nas eleições de 2022.

A partir daí, uma busca no Google com as palavras “Lula”, “Minas Gerais” e “Kalil” encontrou a gravação do evento, que foi transmitido ao vivo pelo YouTube.

O Comprova também pesquisou artigos sobre o ato político publicados na imprensa, como os do Poder 360 e do Estado de Minas. Também entramos em contato com dois perfis que compartilharam o conteúdo falso no Facebook.

O vídeo de Lula sendo molestado é uma montagem

O vídeo, que mostra o ex-presidente Lula sendo cumprimentado com vaias e gritos de “ladrão” é na verdade uma montagem, e os insultos foram inseridos por meio de edição.

A gravação foi feita originalmente no dia 15 de junho em Uberlândia (MG) e postada no TikTok pelo sindicalista Gil Carteiro durante um evento político.

A parte do vídeo que viralizou, com edições, foi feita ao final da apresentação, quando Lula e o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil compartilharam a plataforma e apareceram junto com a bandeira brasileira.

No vídeo original, o ex-presidente pode ser ouvido aplaudido ao som de Alexandre Kalil, que também concorre como pré-candidato ao governo de Minas Gerais nas eleições estaduais deste ano. A montagem ainda tenta encobrir a marca d’água parcialmente ainda visível do próprio autor da gravação da imagem com adesivos.

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| O adesivo tenta encobrir a marca d’água do verdadeiro detentor dos direitos autorais das imagens. (Foto: Reprodução/Facebook)

Lula esteve em Natal (RN), Maceió (AL) e Aracaju (SE) no fim de semana de 18 e 19 de junho, mas não compareceu às comemorações do São João em Caruaru, segundo sua assessoria de imprensa.

Protesto antes do evento

O evento político marcado aqui marcou a primeira vez que Lula e Kalil compartilharam uma plataforma nesta campanha pré-2022. O evento aconteceu no Centro Universitário do Triângulo (Unitri). O episódio recebeu cobertura da imprensa devido a um incidente causado por pessoas que plantaram um drone para espalhar fezes e urina em público. O lixo foi removido antes do início do evento.

Embora os atingidos tenham dito que foram atacados com fezes, a Polícia Militar de Minas Gerais disse que se tratava de um produto biológico usado para atrair moscas nas lavouras.

Em 20 de junho, o G1 anunciou que o Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MPE-MG) vai investigar o caso. Os operadores de drones que jogaram produtos químicos em torcedores foram denunciados ao MPE pelo deputado federal Reginaldo Lopes (PT). O documento foi entregue ao procurador-geral Jarbas Soares Júnior. Na opinião do Ministério Público, é necessário o devido esclarecimento dos fatos com a realização de laudos periciais sobre o drone e o produto pulverizado.

Pesquisas de intenção de voto

A legenda do post pesquisado também questiona a credibilidade das pesquisas de intenção de voto: “O líder da pesquisa foi à Festa Junina em Caruaru-PE e foi muito elogiado pelo povo”. Vários apoiadores apoiam a pesquisa com comentários que desqualificam o trabalho de institutos como o Datafolha; incluindo: “Olhe para as pessoas de dados.” “Acho que foi quando ele subiu um pouco mais nas pesquisas”, digitou outro.

A última pesquisa do Grupo Folha, divulgada em 23 de junho, mostra que Lula tem 19 pontos de vantagem sobre o atual presidente, o equivalente a 47% das intenções de voto no primeiro turno. Bolsonaro tem 28%.

Mesmo que a postagem aqui verificada fosse verdadeira, um eventual episódio isolado não seria suficiente para configurar uma amostra de baixa popularidade de um determinado candidato. Como o Comprova demonstrou recentemente, as pesquisas eleitorais utilizam métodos científicos para captar a realidade do momento com segmentos que podem ser representativos do eleitorado brasileiro em geral.

A crítica aos institutos de pesquisa de opinião segue a linha de Bolsonaro, que já descreveu dados do Datafolha sobre as intenções de voto dos eleitores evangélicos como “vergonhosos”.

Por que investigamos: O Comprova analisa conteúdos suspeitos sobre pandemia, políticas públicas e eleições que viralizaram. O conteúdo aqui analisado trata de uma suposta manifestação contra Lula, o pré-candidato à Presidência da República. Conteúdo enganoso prejudica a tomada de decisão do eleitor durante a votação e atrapalha o processo democrático. Além disso, as pesquisas eleitorais são ferramentas essenciais para analisar o contexto político do país. Tentar desacreditá-los reduz a confiança das pessoas nos institutos de pesquisa, dificulta sua percepção da realidade e influencia erroneamente o voto.

Verificações adicionais sobre o assunto: O conteúdo desta revisão também foi verificado por Boatos.org, Yahoo, Terra e Aos Fatos.

Recentemente, o Comprova revelou que uma postagem altera um complô local contra Lula para desacreditar as pesquisas, que uma postagem é enganosa ao omitir que o protesto contra Lula em Bagé (RS) é de 2018, e que um vídeo antigo é enganoso ao afirmar que Lula e Alckmin foram assediados em Porto Alegre.

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