PRF quer pagar ao diretor-geral, que está sob investigação, um curso estrangeiro de R$ 144 mil

Silvinei Vasques, aliado do presidente Jair Bolsonaro, é investigado por conduta eleitoral; A próxima diretoria deve aprovar os custos

21 de novembro
2022
– 05:10

(atualizado às 06:54)




O diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal, Silvinei Vasques, é entrevistado no programa A Voz do Brasil.  Foto Valter Campanato/Agência Brasil

O diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal, Silvinei Vasques, é entrevistado no programa A Voz do Brasil. Foto Valter Campanato/Agência Brasil

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil/Estadão

Em processo sigiloso, a cúpula da Polícia Rodoviária Federal pretende destinar R$ 144 mil para despesas de viagem do diretor-geral. Silvinei Vasques See More, Madrid, Espanha e Santiago, Chile. O motivo é a participação em um mestrado em “Direção Superior em Segurança Internacional” no centro universitário da Guardia Civil espanhola.

A candidatura foi feita por Vasques há dois meses e a documentação de nomeação foi assinada pelo subdirector-geral da agência, Daniel Souto. R$ 122.808,18 são pagos em diárias e outros R$ 21.953,31 em passagens aéreas e seguro viagem.

O curso terá início remoto em dezembro e contará com três módulos presenciais, que exigiram a aprovação de três viagens. Um deles para Madri entre 4 e 26 de fevereiro de 2023. O outro para Santiago, no Chile, entre 27 de maio e 11 de junho. No terceiro módulo, Vasques regressará a Madrid entre 9 de setembro e 1 de outubro.

Durante a gestão Vasques, os procedimentos de autorização de viagens e despesas correlatas eram muitas vezes tratados como restritos — casos aos quais apenas um grupo seleto de servidores e agentes tem acesso — e confidenciais — aos quais apenas a cúpula do órgão e pessoas diretamente ligadas podem acessá-los. O CEO não é o único no topo que desfruta desses cursos no exterior por uma taxa fixa diária.

A autorização interna não foi publicada no diário oficiale, conforme constatado pelo estao, ainda não passou pelo crivo do Ministério da Justiça, chefiado pelo delegado da Polícia Civil de Brasília Anderson Torres, aliado de Vasques. Em cerimônia oficial antes da eleição de outubro, Vasques presenteou o chefe do departamento com a camisa 22 do Flamengo, uma homenagem ao número usado pelo presidente e então candidato à reeleição Jair Bolsonaro na eleição.

O diretor-geral está foragido desde que foi investigado pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal por sua conduta no dia da eleição, quando a PRF checou ônibus e foi acusado por eleitores de parar seletivamente apoiadores do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva Silva (PT) e pela inércia nos dias seguintes, quando os caminhoneiros começaram a bloquear estradas para protestar contra o resultado da eleição.

Além do fato de que a PRF não responde há semanas aos questionamentos dos jornalistas sobre os detalhes dessas operações, Vasques se despediu na última quarta-feira, um dia após um pedido de cassação do Ministério Público Federal do Rio que investiga o fato de o diretor-geral pediu votos para Bolsonaro em suas redes sociais. Vasques também apagou todas as suas fotos nas redes sociais, que estavam repletas de imagens ao lado de Bolsonaro e aliados.

No entanto, ele não se deixou abater por Bolsonaro. Em reunião com ministros da Justiça Federal no dia 1º de novembro, o presidente, após a derrota eleitoral, pediu à Justiça que não atacasse Vasques e disse aos desembargadores que ele era um “bom menino”.

Bolsonaro não deixou aliados sem teto no fim do governo. Nesta semana, por exemplo, ele insinuou que o ex-ministro do Turismo e sanfoneiro Gilson Rodrigues Eleito para o Conselho de Administração da Embratur para um mandato de quatro anos. No caso da PRF, o ex-diretor-geral, também de confiança do presidente, Eduardo Aggio, foi indicado para um cargo assalariado na diretoria da Pré-Sal Petróleo, empresa ligada ao Ministério de Minas e Energia. O governo estuda a mesma solução para Silvinei Vasques.

Viagens ainda não foram “aprovadas”, diz PRF

A Coordenação de Comunicação Institucional da Polícia Rodoviária Federal informou em nota que ainda não havia “aprovado” a viagem de Silvinei Vasques. “Reiteramos que não há documento no Ministério da Justiça, pois o procedimento ainda está em fase instrutória e a responsabilidade por todos os custos e deslocamentos do curso é de responsabilidade do próximo Diretor-Geral”.

Segundo a PRF, “todas as viagens internacionais pela estrutura” do ministério são aprovadas pela pasta e publicadas no diário oficial a União.

“O mestrado em questão é destinado a cargos de alta direção – inclusive os já ocupados por outros dirigentes da PRF – e pela natureza do curso é oferecido pela Guarda Civil espanhola aos dirigentes máximos das forças de segurança pública”.

Procurado, o Ministério da Justiça e Segurança Pública não se manifestou.

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