Prisão de Milton Ribeiro tira discurso anticorrupção de Bolsonaro, dizem analistas

A prisão do ex-ministro da Educação Milton Ribeiro, Suspeita de envolvimento em esquema de corrupção e influênciaatinge na íntegra a campanha de reeleição de Jair Bolsonaro e priva o presidente do primado da fala anticorrupção – adotada por ele nas eleições de 2018 e até então exibida por aliados como trunfo no confronto com o PT Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de outubro.

A avaliação é feita pelos analistas participantes da edição da última quarta-feira (22) momento políticomostrado pelo dinheiro da informação no YouTube. Confira todo o programa jogador clique acima ou aqui.

Em março deste ano, Ribeiro foi alvo de reclamações sobre sua atuação na cúpula do Ministério da Educação (MEC) e acabou deixando o cargo. Áudios divulgados na época reforçaram as suspeitas de que haveria um acordo em carteira, intermediado por pastores evangélicos, para a liberação de recursos públicos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), órgão filiado ao MEC.

em um dos seus vidas Bolsonaro chegou a dizer nas redes sociais que iria “colocar fogo na cara” pela adequação de Ribeiro. “Você está cometendo covardia com ele”, disse o presidente na época.

Em entrevista à Rádio Itatiaia, ele comentou sobre a prisão do ex-ministro. O gerente mudou o tom: “A imprensa vai dizer que ele está ligado a mim, paciência. Se algo estiver errado, ele reagirá. Se você deve, você vai pagar”.

Para os analistas que participaram do momento político, a campanha de reeleição de Bolsonaro foi severamente abalada pela prisão de Ribeiro. “Bolsonaro perdeu o discurso sobre corrupção. Já foi um discurso trêmulo porque quem acompanha política sabe que não é governo puro, como costuma dizer o presidente”, disse o cientista político Carlos Melo, professor do Insper.

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Segundo o presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles, a opinião pública tem a impressão de que praticamente toda a classe política está envolvida em casos de corrupção. “O Presidente da República disse que iria queimar a cara por causa de um homem que está preso. Há uma percepção na opinião pública de que é a conversa preguiçosa sobre o maltrapilho”, explica.

“Quando isso acontece, a pergunta que fica, que na verdade é uma questão de escolha, é minha vida melhor no governo Bolsonaro do que no governo Lula? Quando todos são percebidos como corruptos, a questão permanece”, continua.

“Está ficando cada vez mais difícil para Bolsonaro encontrar aquela bala de prata que pode mudar o resultado que a pesquisa mostrada vitória eleitoral do ex-presidente Lula”, diz Meirelles.

Júnia Gama, analista política da XP, sabe que a volta do escândalo do MEC ao centro das notícias políticas será inevitavelmente explorada pela oposição durante a campanha eleitoral. “É uma questão que será explorada e tem potencial para minar a imagem do presidente, cujo esteio é a narrativa anticorrupção”, avalia.

Nos corredores do Congresso, relata Júnia, a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar denúncias de corrupção no MEC já é uma coisa natural. Segundo o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), basta uma assinatura para atingir o número mínimo de 27 apoiadores no Senado para instalar a CPI.

“A CPI da Petrobras [defendida por Bolsonaro] perdeu muito poder. É uma questão que diz respeito a todos os governos. Mas a CPI do MEC pode ganhar impulso político. A oposição investe muita energia lá”, diz Júnia.

Carlos Melo salienta que a CPI do MEC “interessa a muita gente”. “Para o PTismo e seus aliados, porque isso tira da boca de Bolsonaro qualquer possibilidade de discurso sobre corrupção. Mas também é interessante para setores do centro que não estão com Lula. Todo mundo imagina o quanto isso pode derreter Jair Bolsonaro”, diz.

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“Isso mina a possibilidade de um discurso de eleição presidencial. Não há economia, não há Amazônia, não há relações internacionais, não há mais discurso anticorrupção… O que você vai dizer?”, questiona Melo.

Petrobras e combustíveis

Ataques de Bolsonaro e aliados contra a Petrobras por reajustes de preços de combustíveis também foram discutidos durante a reunião. momento político. A estatal anunciou esta semana novos aumentos na gasolina e no gasóleoo que levou o governo e membros da base aliada – como o presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) – a lançar uma dura ofensiva contra a política de preços da empresa.

para as medidas discutidasaumentar os impostos sobre os lucros da Petrobras, alterar as regras de governança da empresa, alterar a lei das empresas estatais criada durante o governo Michel Temer (MDB) justamente para limitar a interferência política nas empresas – e até mesmo criando um CPI, defendida publicamente por Bolsonaro. Na última segunda-feira (20), o presidente da Petrobras, José Mauro Coelho, resignado.

De acordo com Júnia Gama, os governantes não devem mudar a lei sobre as estatais e apenas tentar aumentar a pressão sobre a diretoria da Petrobras. “O que vimos é muita fumaça, muitos sinais trocados. É uma tentativa de encontrar um inimigo comum para justificar a alta dos combustíveis e tirar a culpa do governo”, explica. “Eles realmente não querem mudar o State Enterprise Act e não vão. Você não vai interferir agora. O que vimos foi uma escalada de pressão de Bolsonaro, Arthur Lira e Ciro Nogueira [ministro-chefe da Casa Civil] que o Conselho de Administração da Petrobras deixará o cargo”.

Para Carlos Melo, o atual governo não apresenta um plano efetivo para reduzir o impacto dos altos preços dos combustíveis. “É difícil dizer que o governo tem uma estratégia. Um bom governo é aquele que se antecipa, que impede que bombas explodam”, diz. “O problema do petróleo ocorre antes da invasão russa da Ucrânia. A ideia de que é preciso criar um fundo para mitigar esse problema está na mesa há muito tempo e o governo não fez nada. Ele preferiu demonizar os governadores.”

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Renato Meirelles, por outro lado, espera um ressurgimento das medidas do governo no setor econômico com base no roteiro dos últimos meses, quase como uma tentativa desesperada de levar Bolsonaro ao segundo mandato.

“Existem possibilidades concretas de medidas cada vez mais heterodoxas na economia, legais ou não”, enfatiza. “O governo deve acender a luz vermelha para o Brasil pós-eleitoral. O impacto fiscal está aumentando devido às medidas populistas tomadas para tentar garantir a reeleição do Presidente da República.”

Veja na íntegra momento político esta semana no vídeo acima Clique aqui. O programa será exibido ao vivo às quartas-feiras, às 18h (horário de Brasília). Canal do InfoMoney no YouTube.

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