Tragédia em Mariana: Sistema polêmico já indenizou quase 60 mil – 14/05/2022

Desde que o novo esquema foi criado em 2020, o número de pessoas indenizadas pelo rompimento da barragem da Samarco aumentou – cerca de R$ 5,68 bilhões já foram alocados para 56,7 mil pessoas. Os números são baseados em levantamento da Fundação Renova, que controla o processo de reparação dos danos causados ​​pelo acidente. QUE agência do Brasil teve acesso aos dados em 31 de março.

O processo de compensação está causando polêmica. De acordo com a Comissão de Atingidos da cidade de Mariana, a maioria das vítimas se recusa a aceitar os valores oferecidos. “Para quem não teve que fugir da lama, cuja casa ou terreno não foi muito afetado, os valores podem ser bem-vindos, mas vejo a Samarco e seus acionistas Vale e BHP Billiton usando esse esquema de compensação para divulgar números fabulosos e Incentive os afetados na linha de frente a participar. Alguns cederam e aderiram, mas é um nocaute. Não cobre 10% da minha perda”, diz o produtor de terras Marino D’Ângelo, Comissário.

A fazenda de Marino, produtor de leite no distrito de Paracatu, estava na trilha do rejeito. “Eu entendo que todos têm o direito. Em Mariana todos são afetados de alguma forma. A prioridade deve ser compensar as pessoas cujas vidas foram poluídas com lama. Nós, empobrecidos, ainda vivemos uma vida que nos foi imposta. construção de moradias temporárias, e minha atividade econômica está passando por um revés.” Assim como outras pessoas afetadas pela tragédia, o produtor tomou medidas individuais em busca de reparação.

A barragem da Samarco rompeu em novembro de 2015. A estrutura, localizada no município de Mariana em Minas Gerais, desencadeou uma avalanche de rejeitos que atingiu o Rio Doce e fluiu em direção à sua foz, causando impactos socioecológicos e socioeconômicos em dezenas de comunidades em Minas Gerais e no Espírito Santo. Dezenove 19 pessoas morreram.

Novela é o nome do sistema de compensação simplificado que foi inicialmente introduzido para Naque (MG) e Baixo Guandu (ES) segundo julgamento do juiz federal Mário de Paula Franco Júnior em setembro de 2020. A medida foi anunciada pela Fundação Renova como forma de desbloquear o pagamento de indenizações. Relatórios de Ramboll, um dos consultores externos independentes que assessoram o Ministério Público Alemão (MPF), disseram na época que apenas um terço das famílias cadastradas em toda a Bacia do Rio Doce recebiam indenização.

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Aos poucos, outras cidades foram incluídas em novos conjuntos assinados por Mário de Paula. Atualmente são atendidos 45 municípios: 36 em Minas Gerais e nove no Espírito Santo. Segundo a Fundação Renova, o novo sistema responde por 74,2% de todas as indenizações individuais pagas desde a tragédia, há mais de seis anos.

O MPF critica a demora do procedimento de indenização até 2020 e também questiona a implementação da novela, apontando irregularidades no sistema simplificado e analisando alguns valores baixos. Foi apresentada uma queixa judicial, que também denunciou o reconhecimento de comissões de vítimas ilegítimas. Com a aceitação do sistema pela Fundação Renova sem objeções, surgiu a suspeita de uma disputa simulada, que surgiu após consulta prévia entre os advogados de ambas as partes na abertura do processo. No entanto, o recurso não foi julgado procedente em segunda instância.

A Fundação Renova foi constituída em 2016 conforme Termo de Transação e Ajustamento de Conduta (TTAC) firmado entre o Governo Federal, os Governos de Minas Gerais e Espírito Santo, Samarco e os acionistas Vale e BHP Billiton. Os três mineiros têm que pagar por todos os custos de reparo. A Renova é responsável por receber recursos e administrar mais de 40 programas, incluindo o programa de remuneração individual.

Em um comunicado, a fundação diz que o novo sistema introduziu novos procedimentos que permitiram que trabalhadores com dificuldade em provar danos fossem reconhecidos como afetados. “O novo rio possibilitou compensar categorias muitas vezes informais como artesãos, carroceiros, lavadeiras, pescadores de subsistência e informais, areeiros e outros. O sistema também compensa categorias formais como pescadores comerciais, proprietários de barcos e empresas como hotéis, pousadas e restaurantes”, acrescenta o texto.

Para os trabalhadores das categorias informais, a remuneração varia entre R$ 71.000 e R$ 161.300. Para profissionais, o maior valor é de R$ 567,5 mil para proprietários de arrastões de camarão.

A atuação da Renova também foi criticada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que entrou com uma ação em fevereiro passado exigindo a extinção da fundação por ter autonomia limitada, impedir a reparação efetiva e responsabilidades da fundação restringindo as mineradoras. O processo foi posteriormente arquivado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) para decidir se a questão é de competência da Justiça Estadual.

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Atualmente, está em andamento uma mediação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com o objetivo de obter a renegociação do processo de reparação capaz de resolver o passivo de 85 mil processos relacionados à tragédia em curso no país. O MPF e o MPMG esperam assinar um novo termo de reparação com as mineradoras que estabelecerá um modelo de governança diferente do acordo para a tragédia de Brumadinho (MG) sem o envolvimento de organização equivalente, a Fundação Renova.

Os governos de Minas Gerais e do Espírito Santo também participam das negociações. Audiências públicas foram realizadas para ouvir os interessados.

Mariana

O município de Mariana foi um dos últimos a ser incluído no novo sistema, com ordem judicial em setembro passado. A decisão foi uma surpresa para os promotores. Porque diferentemente de todas as outras cidades da Bacia do Rio Doce, as indenizações dos atingidos em Mariana foram negociadas na Justiça Estadual.

De acordo com a Fundação Renova, 187 inscrições já foram aceitas em Mariana e R$ 44,3 milhões já foram pagos pelo novo sistema. O período de inscrição no sistema termina no dia 30 de junho. O procedimento é realizado através de uma plataforma online pelo advogado ou defensor público que representa o interessado.

A Cáritas, que presta assistência técnica aos moradores de Mariana, chegou a produzir um folheto contendo preocupações sobre algumas características do sistema simplificado, conforme decisão tomada em 2016 em reunião organizada pela Comissão para os afetados. O documento aponta, por exemplo, a necessidade de assinatura de auto de exoneração plena e integral e a impossibilidade de apresentação de contra-pedido uma vez que os valores foram fixados pelo juiz.

Antes da inclusão de Mariana no novo sistema, os pagamentos eram feitos por meio do Programa de Intermediação Mediada (PIM). Uma das peculiaridades do julgamento de Mariana foi que os atingidos lutaram pelo direito de registrar as famílias na Justiça Estadual pela Cáritas e não pela Fundação Renova. Há cerca de 1.300 entradas no total. Com base nisso, são criados dossiês que listam os tipos de danos às famílias.

Também com o apoio da Cáritas, as pessoas afetadas recorreram a consultores externos para criar a matriz de danos, que permite calcular a avaliação de danos de cada afetado. Para tanto, foram firmados convênios com instituições de pesquisa como o Instituto de Pesquisas Econômicas e Administrativas e o Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional, ambos vinculados à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

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No entanto, a Fundação Renova não considerou este trabalho e adota outras referências para definir os valores. Além das divergências sobre perdas materiais, há divergências sobre danos morais, que incluem a perda de oportunidades de vida e o impacto na saúde física e mental.

“Não há garantia de imparcialidade na mediação das negociações. Apenas a matriz de danos da própria Fundação Renova é levada em consideração, e a matriz de danos das pessoas atingidas pela barragem é completamente ignorada, mostrando que não há uma negociação real, mas sim a imposição de políticas e valores estabelecidos pelo representante da mineradora. São apresentadas propostas de indenizações incompletas com valores muito baixos, dada a extensão dos danos causados”, afirma a coordenadora da assessoria jurídica da Cáritas, Gabriela Câmara.

ordem paralela

A inclusão de Mariana na novela correspondeu a um pedido judicial de uma nova comissão de atingidos, que só foi registrado em cartório em abril do ano passado. A comissão foi representada por advogados particulares e não assessorada pela Caritas. A empresa ainda esclarece que não acompanha os afetados que optam pelo sistema simplificado.

“A comissão que foi criada para validar esse processo em Mariana é ilegítima. Não foi eleita pelo município”, critica Marino D’Ângelo. Há uma ação específica do MPF questionando o reconhecimento judicial da nova Comissão. Em recursos impugnando decisões aplicáveis ​​a outras cidades ao redor do novo sistema, procuradores federais têm lamentado a formação de comissões sem consentimento em espaços de deliberação coletiva, como as assembleias. A Agência Brasil tentou entrar em contato com os advogados da nova comissão, mas não obteve resposta.

A decisão do Tribunal de Justiça Federal de incluir Mariana no novo sistema não paralisou as discussões em nível estadual. Mas após a conclusão das negociações, o Departamento de Estado entrou com uma ação pedindo a liquidação e execução da sentença contra Samarco, Vale e BHP Billiton em outubro do ano passado. Foi solicitada a alocação imediata de R$ 2,54 bilhões (Link: https://agenciabrasil.ebc.com.br/justica/noticia/2021-10/mpmg-cobra-r25-bi-de-mineradoras-para-indenizar – vítimas -de-mariana) para indenizar as cerca de 1.300 famílias marianas cadastradas pela Caritas.

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